Adércio foi meio-campista clássico do amador da cidade‏

Por:  Jair Pereira de Souza

 

O fato de ser um meia-direita clássico que enchia os olhos de quem o assistia, dribles desconcertantes e lançamentos milimétricos fizeram de Adércio Ferreira, um dos jogadores mais notáveis que desfilaram pelos campos de futebol de Botucatu e região. Se quando jovem tivesse alguém para orientá-lo, dando-lhe sustentação e encaminhá-lo, com certeza seria um grande jogador profissional.

Ele atuou numa época em que futebol amador de Botucatu era muito concorrido, cada bairro tinha seu representante e Adércio era requisitado por diferentes times. Vestiu a camisa do Desportivo Municipal, Sociedade Amigos do Tanquinho (SAT), Alvorada, Bairro Alto, Botucatu Atlético Clube (BAC), Associação Atlética Botucatuense (AAB), Associação Atlética Ferroviária (AAF), Vitoriana, Associação Atlética de Tietê, entre outros. Este grande talento do nosso futebol de Botucatu, em entrevista, contou um pouco de sua atuação no futebol.

 
Início no futebol

Desde criança com meus 12 anos de idade já gostava muito de brincar com a bola, tinha um campinho ao lado da minha casa que, na verdade,  era um pasto aonde meu pai colocava seus animais, ali nos fundos do seminário na Rua Damião Pinheiro Machado, onde fizemos duas traves de bambu onde todos os dias um grupo de garotos se reunia.  Desde aquela época tinha facilidade pra inventar jogadas e bom domínio da bola. Meu primeiro campeonato oficial foi pelo juvenil da Associação Atlética Botucatuense (AAB) e no amador foi pelo Desportivo Municipal, que tinha seu campo ali onde era o antigo canil e hoje é a cozinha piloto da prefeitura.


Emoção e alegria

Foi quando jogava pelo Bairro Alto, chamado de “Galo do Espigão”, contra o time do Boa Vista. Precisávamos ganhar aquele jogo de qualquer jeito, para se classificar e disputar a final contra o time da Vila Maria. O (Ademir) Marcolin pegou uma bola no lado esquerdo e cruzou forte para traz, a bola veio em direção do Sergio Casadinha que era nosso centro avante. Muito inteligente quando viu que eu vinha de traz  abriu a perna deixando a bola passar para que eu chutasse com muita força, tirando a possibilidade de defesa do goleiro. Isso aos 40 minutos do segundo tempo. Esse gol fez com que nossa equipe fosse à final, onde vencemos a Vila Maria e fomos campeões.


Gol inesquecível

Acho que um dos meus gols mais bonitos foi contra o Inca, quando jogava pelo Alvorada. Saiu um escanteio e nosso ponta bateu bem aberto, enquanto a maioria dos jogadores se concentrou na área pequena, esperando o cruzamento,  fiquei  colocado sozinho na entrada da área grande. O cruzamento veio em minha direção, nem deixei a boa cair no chão, peguei de “sem pulo”. O Abilinho que era o goleiro do Inca nem se mexeu e só ficou olhando a bola entrar.
 

Profissionalismo

Jair, tive esta chance no inicio de 1965, quando jogava pela AA Ferroviária contra o Lageado. O pai do nosso Zé Maria, o Dungão, me viu jogar e ao final da partida veio falar comigo e me convidou para fazer um teste na Portuguesa de Desportos. Como tinha que me apresentar para servir no Tiro de Guerra, o sargento da época, infelizmente, não me dispensou.  Nunca mais tive outra chance. Também como tinha que trabalhar não fui atrás para tentar carreira profissional e continuei aqui em Botucatu jogando no amador. Sempre tive muito apoio da minha esposa que também gosta de futebol e foi a principal jogadora do primeiro time de futebol feminino de Botucatu.


Melhor jogador

O melhor para mim foi o (Ademir) Marcolim. Jogamos juntos no Vitoriana e Bairro Alto. Era um jogador fantástico, muito consciente, driblava e lançava, com muita precisão. Para mim foi um dos melhores que vi em campo.


Principal qualidade

Tinha facilidade para driblar, caia muito pelas pontas para fazer os cruzamentos e lançava muito bem. Também me movimentava para receber a bola, procurando sempre uma boa colocação dando apoio ao meia esquerda, fazendo marcação. Como chutava forte, marcava muitos gols fora da área.
 

Atividade no futebol

Se não tivesse com problemas no joelho com certeza estaria ainda jogando, embora já esteja com 69 anos, mas a idade não iria me atrapalhar a bater minha bolinha.