Ademarzinho é considerado a lenda viva do futebol de salão

Cláudio, Ditão e Itatinga; Arari e Tição; Piter, Zezinho, Branco, Ademarzinho e Jair. Esse era o timaço da Associação Atlética Botucatuense (AAB) de 1963, que marcou época no futebol de Botucatu. Era um dos melhores times do interior paulista e disputou o Campeonato Paulista. Entre os “craques”, Ademar Messias, ou Ademarzinho, como ficou conhecido. Hoje, aos 72 anos de idade tem muitas histórias para contar daqueles tempos áureos do futebol botucatuense.

Embora fosse um meia esquerda de refinado toque de bola, foi no futebol de salão que Ademarzinho se firmou como um dos maiores atletas da Cidade. Jogando de pivô, ele infernizava a defesa adversária com jogadas rápidas e desconcertantes. Não é por acaso que é considerado a lenda viva do futsal de Botucatu.

Assim como no futebol, ele lembra uma escalação de salão que marcou época no Botucatu Tênis Clube, em 1958: Armelin, Alemão, Mário Messias, Ademarzinho e Beri. Jogavam, ainda: Itatinga, Zé Fortes, Newton Colenci, Shirley Lessa e Damato. “Esse time ganhou tudo que disputou e jogava por música de tão entrosado que era. Como pivô fazia muitos gols e fui artilheiro muitas vezes”, lembra.

Aqui é bom abrir um parêntese para lembrar que, depois da geração de Ademarzinho, o BTC montou outro time notável em 1980 que tinha Neto, Dito Manivela, Agenor, Fernando Mello, Serrão, Pascoalick, Mané, Celestrin, Plininho Genta, Bosco, Lulinha, Paulo Amorim, Gildo, Chocolate, entre outros.

No auge de sua forma Ademarzinho dividia seu tempo entre o trabalho no banco (Sudameris) com os treinamentos. Lembra que saia do banco e ia para o campo de futebol onde passava o resto da tarde treinando e ? noite jogava futebol de salão. Ele não tem idéia de quantas camisas diferentes vestiu jogando futebol de salão. E nunca cobrou para jogar.

“Era moleque, não bebia, nem fumava e tinha um preparo físico invejável. Cheguei a jogar futebol de salão pela manhã, futebol de campo ? tarde e salão ? noite, num mesmo dia e para times diferentes. E joguei o tempo inteiro em todos. Se tinha uma coisa que me deixava aborrecido era ser substituído. Não gostava de parar de jogar nem no intervalo”, brinca.
Relata que suas características no futebol de campo eram diferentes das de salão. “No campo era armador, jogava de meia esquerda e conseguia colocar os atacantes na cara do gol. Só dava bola “açucarada”, porque eu tocava muito fácil. Já no salão era diferente. Jogava lá na frente, de pivô, e não me lembro quantas vezes fui artilheiro dos campeonatos que participei. Sempre preferi o salão, porque o jogador tem que ter raciocínio rápido”, ensina. “E olha que na minha época a bola era muito mais pesada e não valia gol de dentro da área”, acrescenta.

Ademarzinho diz que jogou futebol de salão até os 53 anos e passou jogar o futebol suíço. “Claro que não dá para correr como antes, mas a cabeça funciona melhor ainda. Mesmo agora ainda arrisco jogadas de efeito nas brincadeiras com os amigos. Pelo menos uma vez por semana, estou no campo e não pretendo parar tão cedo”, assegura, concluindo: “Enquanto as pernas aguentarem estarei dando meus chutes e relembrando meus velhos tempos”.

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