Wander Bêh faz seu trabalho mesclando talento e criatividade

O cantor e compositor Wander Bêh, representando a Cidade de Barra Bonita, foi o grande campeão da fase Cantos da Cuesta do Festival Botucanto, realizado em Botucatu entre os dias 6 e 8 de outubro. Foi ele o representante da região na fase nacional do Festival, defendendo a canção “Todos os olhos de Tom Zé” e deu um show de interpretação

Em entrevista ao Jornal Acontece Botucatu Wander Bêh fala sobre sua carreira, seus desafios e até onde pretende chegar nessa difícil caminhada rumo ao estrelato, onde além do talento, é necessário carisma pessoal.

{n} Jornal Acontece – Quem é Wander Bêh?

Wander Bêh- {/n} Costumo dizer que Wander Bêh é um cara com muita vocação por liberdade. De natureza tímida e instrospectiva, busquei através da arte um caminho para chegar até as pessoas, um jeito de dividir experiências de vida e entender melhor o ser humano.

{n} JA – Fazendo uma auto- análise, como foi sua participação no Botucanto?

WB – {/n} Foram dias muito especiais. Fico muito feliz por ter participado de todas as fases do Botucanto. Voltar pra casa com o troféu “Melhor canção da Cuesta” e o convite para fazer um pocket show no Botucanto 2012 foi muito significativo para mim e os meus, uma grande injeção de entusiasmo.

Analisando criticamente, como um bom virginiano, destaco minha última passagem pelo palco pois consegui algo que eu desejava muito: uma apresentação que me envolvesse a ponto de não pensar em mais nada; o que é muito difícil em um festival, onde se tem pouco tempo de apresentação e muita adrenalina por conta do próprio espírito dos festivais.

{n} JA – Essa música que você defendeu no Festival em Botucatu revela seu fascínio pelo genial Tom Zé, que veio na época de dois movimentos marcantes na música brasileira: Tropicália e Bossa Nova que têm influência seu trabalho…

WB – {/n} O Tom Zé veio um pouco depois da bossa, passou um tempo sob o teto da Tropicália e, mesmo nesse movimento tão abrangente, ele acabou destoando por conta da “excentricidade de sua genialidade” – acho quem disse isso foi Caetano Veloso em um documentário. Eu costumo dizer, por conta disso, que o Tom Zé é o padrinho de todos os artistas marginais brasileiros do século XXI.

Falando sobre bossa, digo que sim: existe muita influência do gênero em meu trabalho. Meu segundo álbum solo, “O amor me desafia”, revela isso em muitas faixas.

{n} JA – De uma maneira geral, o cantor em início de carreira busca se inspirar em artistas já consagrados. Você se espelhou em alguém?

WB- {/n} Existem muitas referências, sim… Apesar de ter imitado muito o Ney Matogrosso dançando e cantando “Bandido Corazón” na frente dos espelhos da minha infância, sinto que pra o Wander artista a expressão “espelhar-se” seja muito forte, pois o grande norte de tudo que eu faço é uma grande viagem pra dentro de um eu íntimo. Mas referências fortes e muito vivas existem, sim: Caetano, Iggy Pop, Tom Zé, o próprio Ney, o cineasta Ingmar Bergman… Eu presto muita atenção no que eles dizem.

{n} JA – Além de cantor você é, reconhecidamente, um excelente intérprete e mostra no palco o seu lado ator. Como é unir música a uma interpretação teatral?

WB – {/n} Antes de tudo, muito obrigado! Como eu disse no festival, nunca consegui interpretar um papel que não eu, mas gosto dessa coisa de vivenciar as histórias que estou cantando no palco.

Isso vai muito de encontro também com o que disse no começo da entrevista, sou uma pessoa muito tímida e na infância e adolescência era ainda mais – que bom que existe o palco!

{n} JA – O show de Wander Bêh tem um repertório diversificado, ou seja, apresenta vários estilos musicais?

WB – {/n} É… Em minha carreira já brinquei com tudo que é estilo musical, como disse, o Wander é um cara com muita vocação por liberdade. Cresci ouvindo muita MPB, tangos e boleros por causa de meu pai que era muito apaixonado por música – o primeiro disco que ganhei dele foi um ao vivo do Cauby!

Quando eu comecei meu processo de criação artística era meio óbvio que trilharia meus caminhos pela canção, mas não foi isso o que aconteceu, acabei sendo adotado pelo rock onde atuei por muitos anos sempre de forma subversiva: por mais pesado que pulsasse, o meu rock acabava revelando minhas origens caubynianas (risos). Do mesmo jeito sei que muito do rock se faz presente em minhas bossas.

E assim eu sigo, muitas vezes tento fazer um show mais segmentado, mas quando olho pro produto final vejo que as misturas – felizmente- estão todas presentes.

{n} JA – Como foi elaborado o seu CD, assim como a escolha do repertório e dos músicos que o acompanharam?

WB- {/n} Gosto de trabalhar com um roteiro, uma história. Foi assim no meu primeiro disco, a opereta-rock intitulada “Rockstar???”, no mais recente “O amor me desafia”, e já é também no que estou preparando para o ano que vem. Tendo esse roteiro em mente eu começo conceituar a sonoridade do disco pensando nos instrumentos e nos músicos que possam interagir e contribuir com a história a ser contada. Sou muito apaixonado por esse processo.

{n} JÁ- Wander Bêh, desejando-lhe muito sucesso na carreira, deixo-lhe ? vontade para fazer suas considerações finais. O Acontece é seu…

WB –{/n} Deixo todo meu carinho e agradecimento ao pessoal do portal Acontece Botucatu e seus leitores. Fico muito feliz por ter me aproximado, este ano, da cidade de vocês e me deixo ? disposição para contribuir no que for possível para a continuidade desses projetos culturais bonitos que servem de exemplo não só para nossa região, mas para todo o país. Palmas pra vocês.

Fotos: Aline Grego