Termina convênio entre Faculdade francesa e FCA

Em dezembro de 2014, chegará ao final o projeto desenvolvido pela faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) através do convênio Brafagri, programa bilateral entre Brasil e França para a troca de estudantes de graduação nas áreas de ciências agronômicas, agroalimentares e medicina veterinária.  Iniciativa envolve a Unesp, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o Agrosup Dijon e o VetAgrosup – Clermont-Ferrand.

Atualmente, cinco estudantes franceses estão na FCA. Desde 2011, quando o programa foi iniciado, foram doze visitantes. A FCA, por sua vez, mandou sete alunos para instituições francesas. E a participação dos brasileiros no projeto aumentou significativamente no último ano.

“Não estávamos aproveitando a oportunidade. De 2011 a 2013, mandamos um aluno por ano. Somente em 2014 foram quatro”, relata o professor Waldemar Venturini, coordenador do projeto. “Por isso tenho esperança que haja continuidade. Parece que os alunos daqui estão entendendo agora a importância de participar. O Brafagri tem uma diferença fundamental em relação ao Ciência sem Fronteiras, que é a possibilidade do reconhecimento dos créditos cursados e a obtenção do duplo diploma, que pode abrir o mercado de trabalho da França e na Comunidade Européia ”.

A aluna Rafaela Martin foi em 2012 para o Agrocampus Ouest, em Rennes, e voltou à FCA em meados de 2014. Apesar das adequações curriculares que precisou fazer, ela sente que os ganhos foram significativos. “Lá eles priorizam a especialização. Depois de um ano de disciplinas básicas, você escolhe o que quer fazer. Embora não tenha validade para o Brasil, já saímos com o mestrado reconhecido na União Européia, na Austrália e nos Estados Unidos, o que me permite fazer um doutorado direto fora do Brasil”.

Há dois anos no Brasil, a francesa Chloé Saglibene também acha que a experiência do intercâmbio vale a pena. “Eu tinha que escolher uma especialização e não sabia bem o que queria fazer. Tive então a oportunidade de vir conhecer um novo país, uma nova língua e mais áreas da Agronomia. Agora tenho uma ideia melhor das áreas em que quero trabalhar e quando voltar à França vou poder escolher tranquilamente. Também gostei da experiência de morar aqui. Você cresce, aprende a viver sem sua família e recebe uma outra visão do mundo”. Ela fica no Brasil até dezembro.

Richard Lauret foi o último francês a chegar.  Veio em outubro e fica até fevereiro de 2015 estudando a clarificação de suco de maçã. Ele é da ilha Reunião, território francês no Oceano Índico, localizado a leste de Madagáscar, que tem um clima tropical e sobrevive da exportação.

“Eu tenho um projeto que busca opções para a valorização de frutas e legumes e busco mais experiência na área. Meu orientador na França propôs um estágio com o professor Waldemar. Foi uma oportunidade para conhecer outro país e também estudar bebidas, que podem seu um modo para agregar valor às frutas”. Richard vem do Instituto de Regiões quentes (Institut des régions chaudes) e o professor citado por ele, Manuel Dornier, foi orientador de pós-doutorado do professor Waldemar Venturini.

A continuidade da atuação da FCA como parceira do programa Brafagri será definida durante um fórum, realizado na em Angers, na França, de 15 a 17 de dezembro. O professor Waldemar Venturini estará presente. “Vamos observar como a greve pela qual a universidade passou vai repercutir na avaliação que os franceses farão do programa. Temos esperança de que o projeto continue, talvez com mais instituições participando da parceria”.