Presidente da Estopim da Fiel explica ausência no carnaval

Nos desfiles das escolas de samba de rua deste ano, a grande ausência foi Estopim da Fiel, que nos anos anteriores sempre esteve entre as primeiras  colocadas na pontuação geral.  O presidente André Carmoni fez um desabafo e explicou os motivos de a escola optar por não participar do carnaval em Botucatu. Segundo ele, a escola teria sido desprestigiada  e desrespeitada pela Secretaria de Cultura, responsável pelas festividades carnavalescas.

“Na primeira reunião que aconteceu este ano, foi sugerido pela secretaria que seria disponibilizado R$ 60 mil para ser dividido entre todas as escolas participantes, mas ela (Secretaria) ficaria isenta das demais despesas decorrentes do carnaval, como a instalação do som, por exemplo. A proposta não foi aceita e definiu-se que não haveria desfiles das escolas de samba este ano em Botucatu. Dias depois foi realizada uma nova reunião e nós não fomos convidados”, reclama.

Afirma o presidente que nos desfiles do ano passado a Estopim já havia sido prejudicada com as notas dadas pelos jurados. “Tivemos notas muito baixas, principalmente, nos quesitos Bateria e Mestre Sala e Porta Bandeira, só para citar dois deles. Quem conhece um pouco de carnaval sabe que nossas notas foram injustas. Além disso, a Escola Acadêmicos do Beira Rio desfilou com uma Porta Bandeira mirim. Fizeram de tudo para que e escola, por estar estreando,  fosse a campeã”,  desabafa.

E ele vai mais longe. “Também estava definido que cada escola teria um tempo determinado para completar seu desfile para não sofrer punição e perder pontos por cada minuto excedente. A Beira Rio ultrapassou o tempo em vários minutos e não foi punida. Quem cronometrou foi um assessor da própria secretaria (Benedito José Gamito). Pode perguntar a ele. Tem mais: nenhum diretor da escola quis assinar a súmula registrando o tempo excedido. Quiseram justificar o injustificável. Se os pontos tivessem sido tirados o resultado da apuração seria outro”, garante o presidente da Estopim.

Ele prossegue seu desabafo. “É preciso que se coloque gente qualificada e que entenda de carnaval para julgar os quesitos com isenção. Tudo que fizeram com a gente nos dois últimos dois anos nós ponderamos e estávamos pensando em desfilar em 2015 fazendo um enredo para homenagear o ex-presidente Andrés Sanches, mas fomos desrespeitados e optamos em não participar do desfile”, concluiu.

Em sua defesa o secretário de Cultura, Osni Ribeiro, ressaltou que em janeiro foi divulgado um edital público onde as agremiações interessadas em desfilar no carnaval deveriam preencher um questionário sobre os direitos e deveres de cada escola que se interessasse em participar dos desfiles de rua. Não houve reunião para definir valores que as escolas iriam receber.

“Procuramos com esse edital fazer o carnaval da maneira mais democrática possível, dando a oportunidade para todos que quisessem desfilar. Ainda não sabíamos quantas escolas se interessariam, mas cada uma poderia receber da Prefeitura até R$ 15 mil. Nesse questionário havia algumas exigências sobre o número mínimo e máximo de componentes em algumas alas, como bateria, comissão de frente e baianas. Esse edital era uma exigência da Prefeitura para disponibilizar verba e foi preenchido por quatro escolas e a Estopim não entregou o dela. Ele (edital) ainda está lá no site oficial da Prefeitura para quem quiser ver”,  explica Ribeiro.

Sobre a Estopim ser prejudicada pelos jurados no ano passado, Ribeiro foi taxativo. “A gente não pode interferir neste aspecto porque cada jurado tem liberdade de votar de acordo com a sua convicção. Rechaço, porém,   qualquer possibilidade de o júri ter sido influenciado para favorecer alguma escola. O resultado final de um concurso nunca agrada todo mundo, mas a decisão tem que ser respeitada. Nossa idéia, desde o ano passado, era eliminar o concurso, já que não existe premiação extra para a escola campeã.  Entretanto, as próprias escolas quiseram concurso e nós acatamos”, explicou o secretário.

Quanto ao atraso denunciado por Carmona sobre o tempo excedido pela Beira Rio, o secretário isenta a escola de culpa. “Na verdade o atraso foi da Prefeitura, que teve problemas técnicos com o carro de som. Acho que foi por isso que a escola não quis assinar a súmula. A culpa pelo atraso, repito, foi da Prefeitura e não da escola”, afirma Ribeiro, complementando: “Nossa intenção é fazer uma festa para Botucatu e não temos interesse em prejudicar ninguém. Muito pelo contrário. Quanto mais escolas participarem mais bonito será o carnaval”.