Prefeito e rancheiros debatem casas populares a pescadores

Uma comissão de rancheiros estava aguardando uma reunião com o prefeito João Cury Neto (foto) na Prefeitura Municipal, marcada para acontecer na manhã desta quarta-feira com o propósito de discutir a construção de 80 casas populares para os pescadores que moram em barracos ? s margens do Rio Bonito Campo e Náutica. Porém, a reunião foi cancelada.

Isso porque o prefeito decidiu que no próximo dia 22 de maio (sábado), a partir das 14 horas, estará pessoalmente no Rio Bonito ouvindo as reivindicações de moradores, rancheiros e pescadores. O assunto está gerando uma polêmica muito grande, já que a presença dos pescadores é contestada há vários anos por moradores e rancheiros daquela região.

Entre outras coisas, Cury estará discutido o Decreto nº 8242 datado de 31 de março deste ano, declarando de utilidade pública para desapropriação amigável, uma grande faixa de um terreno naquela localidade, onde se pretende construir um conjunto de 80 casas populares para os pescadores, que estão alojados em barracos ? s margens do rio há mais de dez anos. A área desapropriada tem mais de 61 mil metros quadrados.

De acordo com o rancheiro Valter dos Santos, o Valtinho, que mora na cidade de Bauru, a construção das casas no local desapropriado é inadequada, já que vai destruir uma nascente e mudar drasticamente o visual daquela região que é considerada um dos mais visitados pontos turísticos da região.

“Entendemos que o local não é adequado, pois vai descaracterizar o local. O Rio Bonito é um local de cunho turístico onde as pessoas passam suas horas de lazer. Construir casas populares é importante e ninguém é contra. Somos contra o local escolhido, que não é apropriado. Muitos rancheiros já estão colocando suas propriedades ? venda. E olha que tem gente que visita o Rio Bonito há mais de 30 anos”, coloca Valtinho, que deverá acompanhar o prefeito nessa visita.

Na manhã desta terça-feira, a reportagem do Acontece procurou outros rancheiros de Botucatu que têm propriedades naquele local, mas nenhum quis falar abertamente sobre o assunto. Os que se dispuseram em conversar com a reportagem tiveram a garantia de que seus nomes não seriam divulgados.

“Acho que é possível se chegar a um consenso, por isso a reunião com o prefeito será decisiva. Não é que eu tenha medo de expor meu nome, mas prefiro esperar o resultado dessa reunião com o prefeito. Vamos tentar sensibilizar o Executivo de que o visual do Rio Bonito poderá sofrer uma mudança drástica e perder seu cunho turístico. Muita gente vai deixar de ir ao Rio Bonito nos finais de semana”, comentou um empresário bastante conhecido na cidade.

Outro empresário, que também não quis ter seu nome citado, foi mais radical. “Não adianta tapar o sol com a peneira. Quem vem ao Rio Bonito quer paz, quer descanso, quer fugir de suas preocupações. Se as casas forem construídas onde o terreno foi desapropriado, não teremos mais tranquilidade e iremos perder um local privilegiado pela natureza. Essa é a verdade! Não tem aqui nenhum rancheiro que concorde com a construção dessas casas no local desapropriado”, afirma.

E conclui dando uma sugestão: “Em Vitoriana temos vários profissionais que vivem exclusivamente da pesca. Por que então não se construir essas casas populares a pescadores naquela localidade? Isso resolveria o problema de todos”, opinou.

A reportagem apurou, também, que aquele local que foi desapropriado estava sendo pretendido por um empresário de origem holandesa, que queria instalar um campo de golfe. Esse campo seria utilizado por pessoas que apreciam o esporte e não têm um local adequado para praticar.

Foto: Fernando Ribeiro