Ópera do Malandro lota teatro por duas noites consecutivas

Em duas noites seguidas (quarta-feira/27 e quinta-feira/28), um grande público lotou o Teatro Municipal “Camilo Fernandes Dinucci”, para assistir a peça “Opera do Malandro”, musical escrito por Chico Buarque de Holanda, um dos mais renomados e consagrados artistas do Brasil.

A encenação foi feita pelo 12º Ano da Escola Aitiara e o ingresso para assistir a obra foi um quilo de alimento não perecível. O espetáculo é considerado pela crítica especializada uma das maiores produções já realizadas pelo teatro brasileiro, ficando mais de dois anos ininterruptos em cartaz em São Paulo e Rio de Janeiro, contando com um grande número de atores.

Na sua versão original a “Ópera do Malandro” trazia em seu elenco artistas como Otávio Augusto, Ari Fontoura, Emiliano Queirós, Marieta Severo, Elba Ramalho, Maria Alice Vergueiro, Vicente Barcellos, Neuza Borges, Cláudia Jimenez, Vander de Castro, Ives Godinho, Nadinho da Ilha, entre muitos outros.

Por isso, a responsabilidade dos atores amadores de Botucatu era muito grande e para encenar a peça, a escola mobilizou 35 pessoas entre alunos e professores. A banda tocando ao vivo no palco foi o ponto alto da peça acompanhando o canto e a dança dos atores. A direção fez a adaptação “aitiariana” sem comprometer a essência do texto de Chico Buarque.

O texto é inspirado na história desenvolvida por John Gay, em A Ópera do Mendigo, de 1728, e por Bertolt Brecht, em colaboração com Elisabeth Hauptmann, com música de Kurt Weill, em A Ópera dos Três Vinténs, de 1928, um dos maiores sucessos da Berlim dos anos 1920.

{n}Sinopse{/n}

Ambientada em um bordel, o texto conta a história de um malandro carioca, tentando sobreviver nos anos 40, final da ditadura de Getúlio Vargas – clima bem parecido com o de 1978. Como espetáculo musical, que é a trama que gira em torno de Max Overseas, ídolo dos bordéis. A temática, como não poderia deixar de ser, retrata a malandragem brasileira no submundo da cidade do Rio de Janeiro, com todos os ingredientes capazes de nos transportar ? quela época, com a chegada das meias de nylon e dos produtos norte-americanos, que entravam clandestinamente. Não muito diferente da cena das falsificações vendidas pelos camelôs de nossa cidade maravilhosa.

O cenário é a Lapa das prostitutas e da pancadaria; o período – a década de 40 – com a Guerra assolando o mundo e mandando seus ecos para o Brasil. A Ópera do Malandro põe em cena a rivalidade entre o contrabandista Max Overseas e Fernandes de Duran, o dono dos prostíbulos da Lapa.

Bem no meio da briga está Terezinha, a filha única de Duran e de Vitória, que se casa com Max sob as bênçãos do Inspetor Chaves, o Tigrão, que “trabalha” para os dois contraventores. O casamento é o golpe final na família Duran: o desgosto dos pais de Terezinha – e, naturalmente, a ameaça aos negócios – é o gatilho da trama em que todos tentam tirar vantagem de todos. A peça cria, ainda, outros personagens inesquecíveis, como o travesti Genival (Geni) e Lúcia, esta última filha de Tigrão e rival de Terezinha.

Por: Quico Cuter
Fotos: Valéria Cuter