Museu do Café do Lageado é referência para historiadores

A direção do Museu do Café da Fazenda Lageado está comemorando o fluxo de pessoas tem realizado visitas ao local para conhecer um pouco da história da saga do café, que movimentou a economia brasileira no início do século passado. Os prédios mantém a mesma arquitetura daquela época. Em razão disso, a Fazenda Lageado, onde está instalada a Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA), é uma das principais referências para pesquisa de historiadores. Somente no mês de maio, cerca de oito mil pessoas passaram pelo Museu.

Vale lembrar que o Projeto “Museu de Café”, tem como objetivo a recuperação e preservação de acervo arquitetônico, documental e de peças existentes na Fazenda Lageado, Nesta área, centenária a fazenda de café formada no processo de expansão da cafeicultura no Oeste Paulista no século XIX funcionou, a partir de 1934 até a década de 1970, a primeira Estação Experimental de Café do país, encarregada do desenvolvimento de pesquisas e experimentos técnico-científicos na área da cafeicultura e visando a diversificação da produção agrícola em áreas de antigos cafezais.

Está já institucionalizado o Núcleo de Documentação Histórica do Lageado (NUDOC) e encontra-se montada área de exposição de peças, aberta ao público, na antiga “Casa Grande” da Fazenda, restaurada em sua fachada externa. Esse projeto atende ainda a uma expressiva demanda da comunidade abrangente, que tradicionalmente busca a área da fazenda para lazer.
A reportagem do {n}Acontece {/n}realizou uma visita ao local e registrou o rico acervo histórico do Museu que conta a história do café com livre acesso ao público interessado. Além do número muito positivo de visitantes que vem aumentando, gradativamente, a fazenda Lageado recebe, regularmente, pessoas de diferentes regiões do Estado e do País.

{n}Um pouco do Lageado{/n}

Um texto escrito pelo jornalista Sérgio Santa Rosa revela que a Fazenda Lageado é o principal ponto turístico de Botucatu, área da Unesp na cidade, testemunho da época da expansão cafeeira no oeste paulista e, consequentemente, parte importante da história da região. A Fazenda Lageado é tudo isso e, portanto, trata-se de um lugar especial para todos os botucatuenses. O fácil acesso, a segurança e principalmente as belezas da Fazenda fazem com que centenas de pessoas a visitem diariamente para caminhar, fotografar o conjunto de edifícios históricos e locais bucólicos, além de relaxar e meditar.

Ciente da importância desse espaço para a população, a administração da FCA implantou o projeto “Parque Urbano Fazenda Lageado”, desenvolvido pelo arquiteto botucatuense Guilherme Michelin, resultado de sua especialização em Conservação e Restauração de Patrimônio e Conjuntos Históricos, junto a Universidade Federal da Bahia.

Desenvolvido ao longo de oito anos de intensa pesquisa e levantamento de informações e dados a respeito da Fazenda Lageado, o projeto busca conciliar as características originais da antiga fazenda de café com a sua importância no contexto atual da cidade de Botucatu. Isso envolveu um criterioso trabalho de revitalização da área histórica da Fazenda, através de parcerias com a iniciativa privada e entidades públicas na busca por investimentos para a recuperação e melhoria da área histórica. O projeto foi denominado “Projeto de Revitalização do Uso da Área Histórica da Fazenda Lageado”.

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Segundo o coordenador desse projeto, o servidor José Eduardo Soares Candeias (foto), a idéia é mostrar o Lageado de uma maneira diferente aos visitantes. ”A Fazenda Lageado esconde atrativos arquitetônicos e históricos que devem ser resgatados e apresentados ao público. O objetivo dessa iniciativa é fazer com que a população utilize melhor e passe a valorizar ainda mais a necessidade de preservação do espaço”.

Desde 1972, a área da Fazenda é ocupada pela Unesp, abrigando a FCA e parte da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. A convivência entre o passado histórico dos tempos de fazenda produtora de café e a modernidade das instalações da Universidade é extremamente harmoniosa, revelando o contraste entre o moderno e o antigo, o arrojado e o tradicional que oferece uma paisagem peculiar aos visitantes.

{n}Revitalização da área histórica{/n}

A partir da utilização do espaço já existente, o projeto vai oferecer aos visitantes outras opções, buscando ampliar o conhecimento sobre a importância histórica da Fazenda. Já está funcionando um serviço de visitas monitoradas onde é possível conhecer, e fotografar, inclusive internamente, a Tulha, o Moinho de Fubá, a Serraria e o Museu do Café.

Através das visitas, o público pode conhecer a magnitude das construções com seus detalhes de madeiramento, telhados, piso, equipamentos, e outros aspectos que até então estavam escondidos. “Se mostrarmos esses prédios inteiros, inclusive internamente, evidentemente que a população, que sempre foi uma aliada na preservação da Fazenda, vai valorizar ainda mais esse espaço”, argumenta Candeias.

A FCA também está trabalhando para conseguir o tombamento do conjunto de prédios históricos da Fazenda. “O tombamento é importante porque nos permite definir critérios para restringir as construções na área histórica da Fazenda e facilita a obtenção de apoios por parte de empresas e instituições públicas. Isso é fundamental porque a Universidade sozinha não tem condições de arcar com os custos de manutenção dessa área”, frisa o coordenador do projeto.

Além disso, são disponibilizados também alguns produtos que levam a marca “Fazenda Lageado” como forma de ampliar a divulgação do espaço, como camisetas, bonés, pratos, cinzeiros, jogo de xícaras e canecas. O projeto também disponibiliza, com apoio da iniciativa privada, de painéis de identificação em locais estratégicos da Fazenda, com mensagens alusivas ? história do lugar e sua importância. “Assim, a Fazenda Lageado, que como produto turístico está praticamente pronta, poderá oferecer alternativas ao visitante e, por conseqüência, ampliar a vocação turística natural do espaço”, afirma Candeias.

Fotos: Valéria Cuter