Maurício de Sousa traz seu carisma para a Feira do Livro de Botucatu

Na tarde desta terça-feira (13) a Cidade de Botucatu teve o privilégio de receber o genial desenhista Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, como convidado especial da Feira do Livro que está sendo realizada nas dependências do ginásio da Associação Atlética Ferroviária (AAF).

Atendeu a várias crianças e a cada autógrafo desenhou um dos seus personagens e concedeu entrevista coletiva ? imprensa. Entre outras coisas, contou sua trajetória de vida, dos dez filhos, onze netos e de outras histórias. Criou um gibi, especialmente, sobre Botucatu, onde os personagens da Turma da Mônica mostram de forma divertida e pedagógica um pouco da história da Cidade.

Entre os personagens criados por Maurício de Sousa estão a Mônica, Cebolinha, Cascão, Anjinho, Franginha, Magali, Piteco, Tina, Rolo, Xaveco, Bidú, Bugu, Chico Bento, Horácio, O Astronauta, Jotalhão, Pelezinho, Ronaldinho, entre muitos outros.

Descreveu que por trás dele existe uma equipe composta de 200 desenhistas e sempre está procurando inovar criando novos personagens. Reinventou sua principal personagem, com a revista ‘Mônica Jovem’, que vende cerca de 400 mil exemplares, contra os 200 mil que costumava vender o gibi da Mônica ainda criança.

Também revelou que nove dos seus dez filhos se transformaram em personagem quadrinho e faltava o filho caçula Marcelo, de 13 anos. “Ele (Marcelo) é uma pessoa extremamente organizada e é contra gastos desnecessários. Para ele criei o personagem “Marcelinho, o Certinho” que seria o economista da Turma, mas, inicialmente, ele não aceitou. Depois de alguns anos consegui convencê-lo e o Marcelinho (sem o Certinho) será o próximo personagem da Turma da Mônica. Ele irá orientar os amiguinhos sobre a melhor forma de gastar dinheiro, sem desperdício”, conta o desenhista.

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{n}{tam:25px}Sempre inovando{/tam}{/n}

“A gente tem que sempre estar inovando. Essa atividade é uma sequência tão agitada e dinâmica que você, primeiro, não vê o tempo passar. Tem que se preparar e adequar a cada dia ao que está acontecendo constantemente. Então, passam 10, 30, 50 anos e você tem a impressão de que deu o pontapé inicial ontem. Ao mesmo tempo, sente que no futuro vai ser a mesma coisa.

É preciso preparar a estrutura para isso. Os problemas que temos hoje – que não considero problemas, mas desafios permanentes – estão ligados ao fato de a gente ter que se reinventar todo dia. E essa reinvenção é em cima do que está acontecendo no mundo. Então, o que são 50 anos? São a continuação de um processo que vai continuar mais 50, mais 200, se a gente conseguir colocar a coisa para andar”.

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{n}{tam:25px}Atualização dos personagens{/tam}{/n}

“Normalmente, tudo o que faço aqui, apesar de ter uma equipe gigante, tenho que dar o pontapé inicial, sentir, vivenciar. Nesses últimos anos, tive filhos adolescentes e tenho netos adolescentes. É um laboratório em casa. Tudo de bom e de mau que pode acontecer com os adolescentes está acontecendo do meu lado. Preciso não só olhar, conhecer, estudar, mas participar, dar palpites. E ainda, de algum modo, tentar influenciar em algumas coisas com a minha experiência, com o carinho que tenho que dar para filhos, para netos e para sobrinhos. Tudo isso é escola. Falo com a minha equipe, com os meus roteiristas para tentarem vivenciar a mesma coisa. Se um não tem filhos, eu falo: “Case e tenha filhos.” Se junte com a criança, com o jovem, frequente os ambientes. Tem que haver a sensação.

A pessoa não pode criar do nada. Não pode ler uma coisa e depois puxar a informação do que leu. Tem que ter a informação e a sensação. Se você tiver isso, daí pode criar. Criei a Mônica criança e a Mônica adolescente e estamos pensando na Mônica mulher, Mônica vovó. Tudo evolui e a gente precisa acompanhar isso, pois a cada dia nasce gente nova, cada dia entra mais gente como consumidor de produtos culturais e a tendência é se manter e crescer, mas nunca faria uma história sobre adoção, sobre gays, sobre sexo, sobre tóxico”.

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{n}{tam:25px}Vida nos quadrinhos{/tam}{/n}

“Quando comecei minha carreira, meu pai que foi um grande artista que não deu certo, falou: “Maurício, desenhe de manhã e administre o que você vai fazer ? tarde, porque não tive essa preocupação e as coisas não andaram”. Ele era um artista mais completo que eu, mas não cuidou da carreira e talvez também tenha nascido antes do tempo das coisas que ele queria fazer. Quando me mudei para São Paulo, vindo de Mogi das Cruzes, queria ser desenhista. Já tinha começado as tirinhas do Bidu e do Franjinha, mas fiz uma história de terror e levei para uma editora, cujo editor era o Jayme Cortez. Ele falou “mas não é você que faz aquele cachorrinho na Folha (de São Paulo)?”. Eu disse: “Sou”. E ele disse: “Por que você não traz para mim? Traz aquele negócio”. Então estava certo, aquilo que estava fazendo é que era o caminho”.

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{n}{tam:25px}Personagem famoso{/tam}{/n}

“Trazer personagens conhecidos para os quadrinhos é um desafio, mesmo porque não é a questão de ser famoso, ? s vezes é a mensagem que o cara significa de personificação, de ideal e exemplo. Quando criei o Pelezinho, o Pelé era e continua sendo uma legenda. O Ronaldinho Gaúcho é um sucesso mundial, sai em 32 idiomas. E é um ótimo jogador. Fiz uma tentativa de projeto com o Maradona, mas, infelizmente, não deu certo. Se parar para pensar e fizer uma avaliação, posso escolher transformá-los em personagens de sucesso. Aliás, ouço dizer – e isso não é ser metido – que sei fazer um personagem de sucesso. Mas tenho tantos personagens de sucesso, tantos filhos, que se colocar mais filhos no mundo, não vou cuidar bem. Então é melhor parar um pouco”.

Fotos: David Devidé / Valéria Cuter