Fatec mostra a relação entre acidentes e o clima

Estudo realizado pela Faculdade de Tecnologia de Botucatu (Fatec), instituição pública de ensino superior gratuito do Estado de São Paulo, verificou que existe relação entre a situação climática e os tipos de acidentes de trânsito observados mensalmente no município. Este estudo foi desenvolvido pela discente Paola Gabriela Fernandes, como trabalho de conclusão do curso Superior em Logística, orientado pelo professor  Sergio Augusto Rodrigues.

Para realização do trabalho, um histórico dos últimos 4 anos a respeito dos acidentes de trânsito foi levantado a partir dos boletins de ocorrência registrados na área urbana do município de Botucatu (fornecidos pela Polícia Militar), além de informações climáticas fornecidas pela Estação Meteorológica da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp Botucatu.

Entre os diversos resultados encontrados, destaca-se a associação da precipitação com os diferentes tipos de acidentes. O estudo indicou que os meses com maiores índices de chuva e calor, assim como uma maior quantidade de dias chuvosos, apresentaram mais acidentes sem vítimas em cruzamentos e choques com objetos fixos. Ocorre também, nestes meses, uma quantidade menor de acidentes sem vítimas nas ruas e avenidas, de atropelamentos e um número maior de condutores com menos de 30 anos por acidente com vítimas.

Neste contexto, o período do ano com maior precipitação e temperaturas mais elevadas, composto pelos meses de outubro a março, apresentou uma média diária de acidentes sem vítimas em cruzamentos 16% superior ao período composto pelos meses de abril a setembro. Já o número médio de choques foi 55% superior, enquanto que o número de acidentes sem vítimas nas ruas e avenidas e o número de atropelamentos foi inferior, ambos com uma redução de 8% aproximadamente.

Da mesma forma, os meses com menos acidentes sem vítimas em cruzamentos, menos choques com objetos, com mais acidentes sem vítimas nas ruas e avenidas, mais atropelamentos e com menos condutores de idade inferior a 30 anos envolvidos em acidentes, apresentaram também uma menor quantidade de chuva, temperaturas máximas mais baixas, além de uma maior umidade relativa do ar.

No mesmo estudo, foi possível identificar também que os meses com uma menor quantidade de chuvas e menores temperaturas do ar, além de apresentarem as características comentadas anteriormente, também apresentaram uma maior quantidade de colisões, menos acidentes com vítimas fora dos cruzamentos (nas ruas e avenidas) e menos capotamentos, tombamentos e engavetamentos.

Percebeu-se que o período considerado menos chuvoso e com menores temperaturas (de abril a setembro) apresentou uma quantidade média diária de colisões 23% superior ao período mais chuvoso e com maiores temperaturas (de outubro a março). Já a quantidade média diária de acidentes com vítimas nas retas (ruas e avenidas) foi 11% inferior, enquanto que o número de capotamentos, tombamentos e engavetamentos foi 33% menor, apesar da ocorrência mensal deste tipo de acidente ser muito pequena no município.

Considerando apenas o ano de 2013, observam-se pouco mais de 1400 acidentes registrados, sendo que aproximadamente 36% são de acidentes com vítimas e 64% de acidentes sem vítimas. Entre os acidentes com vítimas, 82% são colisões, 9% atropelamentos, 3% de choques com objetos fixos e 6% de outros acidentes (capotamentos, tombamentos e engavetamentos). Já em 2014 foram registrados aproximadamente 1200 acidentes (redução de 16% em relação ao ano anterior), com praticamente a mesma distribuição em relação aos tipos de acidentes.

Estudos com o intuito de entender as causas dos acidentes de trânsito são importantes para elaboração de políticas públicas de conscientização de motoristas, motociclistas e pedestres. Entender o comportamento das variáveis envolvidas com o trânsito, bem como suas possíveis associações, pode contribuir com a mobilidade urbana dos municípios, visto que os acidentes podem comprometer o trânsito, gerando congestionamentos, além possibilitar redução dos custos relacionados com a saúde pública, pois geram atendimentos médico-hospitalares e são causas de uma boa parcela dos óbitos entre jovens.