Exposição no Lageado mostra o talento de Lin Chau Ming

Além das atividades de ensino, pesquisa e extensão, o professor Lin Chau Ming já mostrou seu talento com as palavras ao escrever crônicas que são publicadas frequentemente no site da Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) e já foram compiladas em livros.

Uma exposição que fica no Espaço Cultural da Biblioteca do Lageado até o dia 09 de outubro mostra uma outra faceta do talento versátil do professor: a de desenhista. São quase 50 trabalhos, entre cartazes de eventos acadêmicos e culturais, charges, capas do jornais estudantis e ilustrações para jornais de Piracicaba, que Lin Chau Ming fazia no período em que cursou a graduação em Agronomia na Esalq, de 1977 a 1981.

“São desenhos para eventos diversos, mas apresentam uma temática geral ligada aos movimentos populares, questões agrárias e ambientais e a luta democrática na época da ditadura militar”, explica o docente. “Eram temas presentes naqueles tempos de movimento estudantil forte e articulado com os movimentos populares”.

A qualidade, quantidade e diversidade dos desenhos impressiona o visitante. “Eu colaborava para ajudar a divulgar as diversas ações estudantis da época”. Nesse período, o professor ilustrou praticamente todos os jornais do Centro Acadêmico da Esalq, chamado “O Arado”. “Fui autodidata, desenhava nas horas de folga, minto, desenhava quase o tempo todo, juntamente com as aulas e as outras atividades do movimento estudantil que participava”, conta.

Uma curiosidade da carreira de desenhista do professor Lin foi sua participação no Salão do Humor de Piracicaba, considerado uma das mostras mais importantes do mundo no universo das artes gráficas. Incentivado pelos colegas da Esalq que já conheciam sua capacidade, o professor mandou um trabalho que não foi selecionado pelos organizadores do evento.

No ano seguinte enviou dois trabalhos e ambos foram aceitos. Um deles, sobre um projeto de construção de uma usina nuclear em Peruíbe, litoral sul de São Paulo, notícia que causou polêmica na época, ficou em segundo lugar na premiação do júri popular. A usina nuclear acabou indo para Angra dos Reis, no litoral carioca, e o desenho original, emprestado para uma exposição da União Nacional dos Estudantes (UNE) acabou sendo perdido.

Na exposição, é possível ver uma impressão do trabalho nas páginas do Diário de Piracicaba, já amareladas pelo tempo. “Foi uma experiência legal porque acabei conhecendo e tendo um pequeno contato com cartunistas como Chico Caruso, Paulo Caruso, Laerte e Glauco. Senti que poderia ter tentado uma carreira nessa área”.

Mas as atividades de desenhista do professor Lin terminaram, praticamente, no dia de sua formatura na Esalq. “Pouco tempo depois de formado consegui um emprego e me envolvi totalmente com a atividade de agrônomo e extensionista rural numa cidade do interior do Paraná. Não tive mais tempo nem motivação para desenhar. Passei a ter outros projetos”.

Remexer seus arquivos para organizar a exposição trouxe boas recordações ao professor. “Lembro das situações que me levaram a fazer os desenhos e isso me dá saudade. Relembro o passado como aluno e como era o Brasil naqueles tempos. Talvez os estudantes atuais não saibam o contexto em que os desenho foram feitos. As lutas hoje são outras. As liberdades democráticas foram conquistadas. Eu participei desse momento e gostei muito de ter vivido isso”.

Além dos desenhos feitos nos seus tempos de estudante, o professor Lin também está expondo os crachás de todos os eventos dos quais participou, de 1993 até hoje. São cerca de 130 crachás de eventos, entre conferências, congressos, simpósios realizados no Brasil e outras partes do mundo.

“Acho que pode ser um incentivo aos jovens. Me considero uma pessoa de sorte por ter tido a oportunidade de  viajar bastante e participar de eventos em vários locais. Isso pode ser um estímulo para que  as pessoas pensem que podem conhecer o Brasil e outros lugares do mundo, outras culturas, através do seu trabalho acadêmico”.

Evidentemente, o professor também guarda os certificados dos eventos, como todos que atuam no meio acadêmico e científico, mas optou por expor os crachás, mais curiosos e inusitados. “Todos são originais. É possível ter uma ideia sobre os diferentes tipos de eventos. Cada crachá tem uma história”.

Os crachás e parte dos desenhos estão expostos na estrutura geodésica feita de bambu e conexões de PVC, cedida pelo Grupo Timbó. A exposição dos desenhos e dos crachás do professor Lin Chau Ming faz parte da programação comemorativa dos 50 anos da Faculdade de Ciências Agronômicas.

Da Assessoria