Exposição em Botucatu mostra a arte de Kenji Fukuda

O estilo figurativo é essencial para treinar as habilidades e técnicas do pintor, mas o abstrato é mais desafiante pelo grau de dificuldade e a sensibilidade nipônica está presente em todos os quadros do artista

 

O artista plástico Kenji Fukuda está expondo seus trabalhos em pintura abstrata  e escultura na Artyz  Galeria, que fica na Rua Moraes Barros 193, Centro. A visitação acontece de segunda a sexta-feira das 9 as 18 horas e aos sábados das 9 às 13 horas.

Kenji Fukuda, que nasceu em Indiana (SP), em 1943, não ingressou na profissão por acaso. Filho do também artista plástico Tamotsu Fukuda, um dos imigrantes japoneses pioneiros no Brasil, ele mesmo admite que o dom é ¨genético¨. Influenciado pelo pai, aos 12 anos começou a dar as primeiras pinceladas no mundo das artes, rascunhos que viriam a transformá-lo em um dos artistas nisseis mais influentes e importantes do Brasil, principalmente a partir da década de 1980.

Mesmo mais tarde, quando se afastou da arte para se dedicar à formação acadêmica, o instinto criativo o levou a optar pelo curso de publicidade, área que exige inspiração intensa e constante e à qual se dedicou por muitos anos antes de mergulhar de vez no universo composto por quadros e esculturas.

A identificação de Kenji Fukuda com a pintura abstrata, linha-mãe seguida por ele a partir dos 35 anos, veio não só como amadurecimento cronológico, mas principalmente profissional. Antes de se lançar ao abstrato, Fukuda passou por uma longa fase figurativa, retratando, especialmente, paisagens, natureza morta e marinha.

Para ele, o estilo figurativo é essencial para treinar as habilidades e técnicas do pintor, mas o abstrato é mais desafiante pelo grau de dificuldade. ¨O abstrato não tem explicação ou interpretação, mas exige muito mais concentração e planejamento¨, resume Fukuda.

A sensibilidade nipônica está presente em todos os quadros do artista, apesar de não haver uma explicação fundamentada para isto. ¨Não tive uma inspiração propriamente dita em artistas plásticos japoneses, é um traço espontâneo e natural¨, conta.

As obras que, sem exceção, marcam os ambientes com cores fortes e intensas, podem ser apreciadas pelo público nas mais importantes vitrines brasileiras da arte, a exemplo do Museu de Arte de São Paulo (MASP), Museu de Arte Contemporânea de Curitiba, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, Museu de Arte de Brasília, entre outros espaços.

Mas não é só no Brasil que o trabalho de Fukuda conquistou o reconhecimento do público e da crítica. Ele já participou de exposições coletivas em Delaware, Miami e Los Angeles (EUA), Iwakuni (Japão) e Paris (França) e realizou exposições individuais em Madrid (Espanha), Miami e Nova Iorque (EUA). Até agosto deste ano, ele deve voltar à maior cidade norte-americana para uma nova exibição individual e a previsão é de que, em outubro, concretize sua primeira mostra em Dacar (Senegal). Também tem obras em exposição em museus de Nova Iorque (EUA) e Genébra (Suíça).

O talento de Kenji Fukuda para a escultura é igualmente proporcional ao dom do artista para a pintura. E foi justamente no campo da escultura que seu nome foi imortalizado no Brasil, em 2007. Fukuda foi o responsável pela criação do monumento comemorativo aos Jogos Pan-Americanos, do Rio de Janeiro.

A obra, localizada na Avenida Abelardo Bueno, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, tem 15 metros de altura e pesa cinco toneladas. Ela foi produzida durante cinco meses em Curitiba, onde o artista tem um atelier, e transportada de carreta para o Rio de Janeiro, onde levou mais duas semanas para ser montada e instalada, devido à complexidade da peça.

Para Fukuda, o convite para a realização desta obra representou o reconhecimento pleno de seu trabalho como artista plástico brasileiro. ¨Ser convidado para confeccionar a escultura comemorativa de um evento que ficou marcado na história do Brasil, é o maior presente que um artista pode receber e eu me sinto muito honrado e orgulhoso por isso¨, conclui.