Escritor botucatuense tem obra no “Library of Congress”

O escritor botucatuense José Sérgio Turriani Marques, tem uma de suas obras literárias no escritório da Library of Congress no Rio de Janeiro, entidade internacional que tem se empenhado em colecionar uma variedade de materiais efêmeros, impressos por diversas organizações e grupos populares brasileiros que são microfilmados para uso de seus pesquisadores.

A obra agora faz parte da coleção Brazil’s Popular Groups, idealizada com o objetivo de documentar os movimentos populares que surgiram durante a ditadura militar e com o advento da Nova República, em 1985. O projeto foi ampliado nos anos seguintes com a inclusão de novos assuntos, oferecendo um conjunto de materiais importantes e fundamentais para pesquisa e estudo dos movimentos políticos e sociais de origem popular no Brasil para futuras gerações.

O livro de Sérgio Marques que está no Library of Congress é intitulado “Ocorrências da Revolução de 32 no Setor Sul”, onde chama os leitores para uma reflexão: “Você tem um dever a cumprir – Consulte sua consciência”, baseada no relato diário dos três meses da Revolução Constitucionalista de 1932, vista pelos jornalistas Major Átila Bonilha e seu filho Pedrinho Marques Bonilha.

Enfoca um dos mais importantes acontecimentos da história política brasileira, ocorrido no “governo provisório” de Getúlio Vargas: Revolução Constitucionalista de 1932, desencadeada em São Paulo. Foram três meses de combate, que colocaram frente a frente nos campos de batalha forças rebeldes e forças legalistas.

“O livro foi diagramado como se fosse escrito num caderno escolar com letra cursiva, onde procuro demonstrar o esforço paulista, que, com poucas armas e munição precária combateu pela implantação do Estado de Dreito no país”, salienta Marques.

{n}A revolução de 32{/n}

A Revolução Constitucionalista de 1932, Revolução de 1932 ou Guerra Paulista, foi o movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, entre os meses de julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo a derrubada do “governo provisório” de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil. Foi considerado o maior movimento cívico da história de São Paulo.

A Revolução Constitucionalista de 32 foi desencadeada com a morte de três estudantes em praça pública: Miragaia, Martins, Dráuzio e Camargo, que faziam discursos conclamando o povo a lutar contra a ditadura Vargas. O nome dos quatro serviu para no futuro designar o movimento paulista: MMDC. O primeiro a morrer foi Camargo, justamente o estudante que era casado e pai de três filhos.

A revolução teve apoio de amplos setores da sociedade paulista. Foram ? s armas intelectuais, industriais, estudantes e outros segmentos das camadas médias, políticos ligados ? República Velha ou ao Partido Democrático. O que os movia era principalmente a luta antiditatorial.

Nos poucos meses de conflito, São Paulo viveu um verdadeiro esforço de guerra. Não apenas as indústrias se mobilizaram para atender ? s necessidades de armamentos, mas também a população se uniu na chamada “Campanha do Ouro para o Bem de São Paulo”. Pela primeira vez buscavam-se iniciativas não apenas militares para romper o isolamento a que o estado fora submetido.
Faltou, no entanto, a esperada adesão das forças mineiras e gaúchas. Os governos de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, embora apoiassem a luta pela constitucionalização, decidiram manterem-se leais ao “governo provisório”.

Isolado, o movimento fracassou. Em 1º de outubro de 1932 foi assinada a rendição que pôs fim ? Revolução Constitucionalista. Enquanto os principais líderes tiveram seus direitos políticos cassados e foram deportados para Portugal, o general Valdomiro Lima – gaúcho e tio de Darcy Vargas, mulher de Getúlio – era nomeado interventor militar em São Paulo, cargo em que permaneceria até 1933.