Centro Cultural recebe a visita de seu primeiro presidente

Fotos: Valéria Cuter

O primeiro presidente do Centro Cultural de Botucatu (CCB), professor Paulo de Assumpção Marques, de 97 anos de idade e que, atualmente, reside em Curitiba, veio rever a instituição que ajudou a fundar. Chegou a Botucatu sem alarde e se apresentou ao presidente atual, João Carlos Figueroa, gerando grande surpresa.

Na tarde desta quinta-feira (31) ele foi apresentado ? imprensa de Botucatu e foi recepcionado pelos demais membros da diretoria, assim como presidentes de outras instituições que funcionam no mesmo prédio do CCB, como a Associação Filatélica e Cine Clube.

Muito lúcido, apesar da idade, Marques relembrou a fundação do CCB em 06 de agosto de 1942 no pavimento superior do antigo prédio do Teatro Espéria, que contou com a presença de várias autoridades e escritores. Na ocasião Marques foi aclamado presidente do CCB tendo como primeiro secretário, José Pedretti Neto; segundo secretário, José Sampaio e o tesoureiro, Raymundo Penha Forte Cintra.

Lembrou que em 21 de setembro 1951 os arquivos do Centro Cultural de Botucatu como a galeria de retratos, mobiliário, iconográfico, bibliotecário sofreram com um incêndio no prédio onde estava instalado (Teatro Espéria). Rememorou que Sebastião da Rocha Lima e Arnaldo Moreira Reis, entusiastas e diretores do CCB, batalharam para conseguir o terreno onde seria construída a sua sede própria, na Praça 15 de Novembro, 30, Centro, em terreno doado pelo então prefeito Emílio Peduti.

O prédio foi construído com recursos próprios e com apoio do Ministério da Educação e de deputados como Ulisses Guimarães, Israel Dias Novaes e Cunha Bueno. O acervo literário conta hoje com 30 mil volumes e coleções completas das revistas Manchete e Braziliano e de jornais locais.

“Pra falar a verdade estava com medo de voltar a Botucatu, por causa da emoção. Criei fortes laços com esta Cidade que está no meu coração e ainda me lembro que não foi fácil ir morar em outro estado e deixar os meus seis pés de jabuticabas no quintal da casa onde eu morava e onde passei grandes momentos de minha vida”, disse o professor.

Ele se mostrou satisfeito em ver o “seu” Centro Cultural em um prédio central, mas observou que já está pequeno para acomodar o acervo. “O CCB cresceu muito nesses anos e é um verdadeiro centro de pesquisas, um tesouro cultural para a Cidade. É motivo de orgulho saber que fui um dos pioneiros que ajudou a plantar essa semente que germinou e deu frutos”, colocou.

Diz que para manter toda essa vitalidade e lucidez aos 97 anos, não come e nem faz nada de especial. Entretanto, confessa que não descarta um cálice de vinho, de vez em quando. “Caminho muito pouco pelo meu bairro lá em Curitiba, mas continuo lendo e escrevendo. Depois que me aposentei fui síndico por 15 anos e hoje sou subsíndico no prédio onde moro”, conta. “Não gosto de ficar parado e faço tudo aquilo que minha idade permite”, complementa.