Carisma de João Bosco leva fãs de Botucatu ao delírio

A população de Botucatu teve o privilégio de receber na noite deste sábado (8) o carisma e o talento do cantor e compositor João Bosco, uma das maiores expressões da Música Popular Brasileira (MPB) de todos os tempos. Ele encerrou a edição 2011 do Botucanto levando para o palco grandes sucessos de sua carreira, acompanhado dos músicos Kiko Freitas (bateria), João Baptista Guimarães Carvalho (baixo) e Ricardo Silveira (guitarra).

Além de ser um artista notável, João Bosco, durante sua estadia em Botucatu, mostrou simplicidade e humildade, qualidades raras no mundo artístico. Se apresentou no sábado, mas chegou a Botucatu na tarde de sexta-feira e passeou pela Cidade como um cidadão comum, sempre solícito com os fãs e imprensa. Mostrando forma física invejável apesar dos seus 65 anos de idade e 40 de carreira o cantor se reencontrou com Botucatu. Nos anos 80, se apresentou no então Cine Paratodos (atual Teatro Municipal).

Por quase duas horas o cantor mineiro mostrou porque é daqueles músicos que fazem arrepiar com a sua forma única de interpretar e encantou o público presente interpretando grandes sucessos de sua carreira. Durante o show houve um momento antológico quando iniciou a canção “O Bêbado e o equilibrista”. Ele não completou a primeira frase. “Caia a tarde feito”…. Foi tudo que cantou. O resto ficou por conta de um público emocionado que cantou acompanhado ao violão, essa música que se tornou um verdadeiro hino para aqueles que lutaram contra a ditadura no Brasil.

João Bosco mostrou nesse seu show em Botucatu um domínio pleno, impressionante, da técnica que lhe deu o título de um dos grandes violonistas da escola brasileira, tão bem representada por João Gilberto, Baden Powel, Rafael Rabelo, Luiz Bonfá, Garoto ou Paulinho Nogueira. Esbanjou criatividade ao cantar com surpreendente suavidade, sem perder sua capacidade de malabarista da voz, com direito a abusar do improviso, mas colocando emoção na dose certa. E se despediu do público botucatuense com uma frase que se tornou sua marca registrada e que dá nome ao seu DVD: “Obrigado, gente!”

{n}Um pouco do artista{/n}

O mestre sala dos mares; O bêbado e a equilibrista; Dois pra lá, dois prá cá; Incompatibilidade de gênios; Bala com bala; Agnus sei, De frente pro crime, Kid cavaquinho; Caça ? raposa; Galos de briga, Falso brilhante; O rancho da goiabada; Papel machê, Miss suéter, Gol anulado, Holofotes, Bala com bala, Cabaré, Tiro de Misericórdia; Fantasia; Bodas de prata; Latin lover; O ronco da cuíca; Bijouterias; Corsário, entre muitas outras, fazem parte do rico repertório de João Bosco, um dos mais completos artistas da MPB.

João Bosco, torcedor do Clube Atlético Mineiro, nasceu em Ponte Nova – MG, em 13/07/1946. Começou a tocar violão aos doze anos, incentivado por uma família de músicos. Alguns anos depois, iniciou na Escola de Minas em Ouro Preto cursando Engenharia Civil. Apesar de não deixar de lado os estudos, dedicava-se sobremaneira ? carreira musical, influenciado principalmente por gêneros como jazz e bossa nova e pelo tropicalismo. Criou seu próprio e inconfundível estilo de tocar violão, que marcou sua carreira e o acompanha até os dias atuais.

Tem músicas assinadas com grandes letristas da MPB como Vinícius de Moraes, Chico Buarque de Holanda, João Donato, Antônio Cícero, Waly Salomão, Arnaldo Antunes, Humberto Teixeira, Capinam, Francisco Bosco (seu filho e parceiro atual mais freqüente), entre muitos outros. Mas o seu maior e principal parceiro foi Aldir Blanc com quem assinou mais de uma centena de canções. Os versos de Aldir Blanc aliado ao talento musical de João Bosco resultaram numa das mais perfeitas e criativas parcerias da MPB.

Por: Quico Cuter
Fotos: Valéria Cuter