Botucatu recebe espetáculo de dança “Lugar de Outro”

A Companhia Damas em Trânsito e os Bucaneiros apresenta o espetáculo de dança e música “Lugar do Outro”, nos dias 19 de outubro (sábado) ? s 20h30 e 20 de outubro (domingo) ? s 19 horas, no espaço Mirante das Artes (Rua Major Matheus 249, 2ª andar), em Botucatu que tem capacidade para 300 lugares. No dia 20 de outubro, ? s 15 horas, a Companhia fará uma oficina gratuita de contato-improvisação para estudantes e profissionais de dança e teatro.
A principal inovação, em seu quinto trabalho, está na movimentação do público. Para mostrar as nuances dos relacionamentos, ela acomoda o espectador em cadeiras fixadas em pranchas móveis (com rodas), lhe permitindo ângulos variados: um único bailarino, enquanto outros dançam; ou de costas; ou na intimidade da encenação. “Os diferentes pontos de vista devem intensificar a sua experiência em relação ? s cenas e prometem ser um diferencial instigante e envolvente”, afirma o diretor Alex Ratton.
A trilha original, uma única peça homônima (Lugar do Outro), é executada ao vivo pelos quatro bailarinos (Carolina Callegaro, Ciro Godoy, Clara Gouvêa e Laila Padovan) e pelo compositor Gregory Slivar. No piano, ele concatena o violino, o cello, a percussão e o acordeom. Inspiração veio da obra do Walter Smetak, músico suíço que morou no Brasil, influenciando Tom Zé, Gil e Caetano; das estruturas das composições (minimalistas e modais) de Steve Reich; e de ritmos de danças circulares brasileiras.

Pela primeira vez, desde a sua formação em 2006, a Damas em Trânsito e os Bucaneiros cria para um espaço fechado. Sua “filosofia” é a ocupação de lugares urbanos de grande circulação de pessoas, como a Estação da Luz, em São Paulo, levando arte a um público flutuante, com liberdade de movimento.

A partir das experiências em trabalhos anteriores, entre eles “Duas Memórias” e “Ponto de Fuga”, o grupo vivenciou nas apresentações de rua uma relação do público com a obra que lhe possibilitava ter diferentes pontos de vista, delimitando os locais para a dança. Assim, o espectador ? s vezes estava próximo ou distante da cena, possibilitando uma relação de intimidade e outra de observador distante.

“Lugar do Outro” é fruto de uma reflexão sobre como o espaço e suas características influenciam as relações que se estabelecem dentro dele. A meta é provocar no espectador sensações que o instiguem a questionar sobre o limite entre o eu e o outro.

A coreografia resulta da criação coletiva e está pautada na improvisação para falar sobre a individualidade, de maneira poética. A dança traz uma estrutura fixa das cenas, mas, dentro de cada uma, os movimentos são desenvolvidos nesta linguagem. “Cada quadro tem uma temática, mas como este tema vai se desenvolver varia de uma apresentação para a outra”, diz a intérprete Laila Padovan.