PIOR QUE TÁ, PODE FICAR SIM!

Neste domingo a Nação Brasileira conhecerá os seus novos “representantes” nas mais variadas esferas legisladoras e governamentais. O povo irá ? s urnas para eleger seus deputados estaduais e federais, senadores, governadores e o novo Presidente da República. Evidentemente que em alguns estados a escolha para governador e, provavelmente, a do nosso novo presidente, poderá ocorrer somente no segundo turno.

Até aí tudo bem, afinal, desde que conseguimos o direito de escolher, através do voto aqueles que nos representam, esse processo vem fazendo parte da história do nosso querido e maravilhoso país; no entanto, de uns pleitos para cá, algo um tanto estúpido e de difícil aceitação tem que ser repudiado veementemente.

Nas últimas eleições, por exemplo, determinados partidos, com o intuito de ocupar um número maior de cadeiras nas Assembléias Legislativas e na Câmara dos Deputados, buscaram encontrar na fama de personalidades (astros do futebol, da música, do circo e, especialmente, da televisão) a oportunidade perfeita para “abocanhar” uma farta fatia do bolo da corrupção na política. Com a ignorância dos menos informados, realizam esse verdadeiro abuso ao usar “artistas” marionetes, já que alguns dos escolhidos não têm escolaridade suficiente para discutir sequer uma questão caseira, que dirá um problema de ordem nacional. Difícil é acreditar que o povo vota em massa nesses cidadãos em face de sua popularidade e simpatia.

Lembro-me com muita tristeza de um caso ocorrido na cidade de São Paulo nos meus tempos de garoto (década de 60). Grande parte da população da cidade de Osasco, em forma de protesto, votou em peso (acredite) num rinoceronte do Zoológico Paulistano. Com mais de cem mil votos o famoso “Cacareco” (lembram-se?) acabou sendo o “vereador” mais votado naquela eleição.

Em 1988, já com a nova constituição vigorando, um grupo de humoristas do Casseta&Planeta que fazia o programa TV Pirata, da Rede Globo teve a infeliz idéia de “transformar” outro personagem do zoológico num campeão de votos. Na oportunidade o tal de “Macaco Tião” chegou a assustar o prefeito eleito do Rio de Janeiro, Marcelo Alencar, com seus quatrocentos mil votos.

Nesses dois episódios, sem dúvida nenhuma, ficou claro o voto de protesto; porém, mesmo não sendo este o melhor caminho para se protestar, os prejuízos foram menores do que os estragos provocados pelas infelizes escolhas nas urnas, tanto que, nenhum candidato “caroneiro” se beneficiou com a votação desses “fenômenos”.

Agora, igualzinho ao que já havia acontecido com a votação do Doutor Enéas Carneiro, fundador do PRONA, em 2002 (na época teve Deputado de carona que acabou eleito com pouco mais de quatrocentos votos) e na do estilista Clodovil Hernandes em 2006, certamente, muita gente incapaz aproveitará a já anunciada expressiva votação do Palhaço Francisco Everardo Oliveira Silva para integrar o “Bonde do Tiririca” rumo ao Palácio dos Três Poderes. Aliás, este senhor (um grande palhaço de circo e ótimo humorista) de maneira grotesca e com aval do seu partido e do Tribunal Superior Eleitoral chega até nós, via Programa Eleitoral Gratuito, dizendo: “… pior que tá não fica, vote no …”.

Voto é coisa séria minha gente. Como disse no título deste “conto” PIOR QUE TÁ, PODE FICAR SIM, é só votar nessas “expressões” (boleiros, cantores, artistas e comediantes) a nós oferecidas como opções de voto e aguardar o que veremos pela frente.

Portanto, prezado leitor, faça valer o seu direito (já que é também um dever) de escolher bem; não entre nessa “arapuca” armada por políticos picaretas e mensaleiros. O que não falta em nossa querida e hospitaleira “CIDADE DOS BONS ARES E DAS BOAS ESCOLAS” são candidatos capazes de nos representar. Botucatu conta com quatro candidatos para a Assembléia Legislativa e outros quatro para a Câmara Federal (além de outros com relevantes serviços prestados a Botucatu); é só escolher os melhores.

Ah! Estão dizendo que o “Tiririca” é analfabeto. Acho pouco provável isso ser verdade, pois o Tribunal Superior e a Justiça Eleitoral desempenham com muita competência e seriedade as suas atribuições. Sempre soube que os analfabetos são inelegíveis; não devem se candidatar e receber votos. Por lei os candidatos devem apresentar a Justiça Eleitoral um comprovante de escolaridade; com certeza, a documentação exigida foi apresentada. Em minha opinião, quem o “descobriu” é que deveria ser contestado.

Por fim, muito respeitosamente, quero deixar o meu repúdio ? postura que vem sendo adotada pelo respeitável, carismático e bem avaliado Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, nos “encontros” que promove na companhia da sua candidata Dilma Rousseff: senhor Presidente, não estou acreditando que Vossa Excelência se esqueceu daquela verdadeira tese extremamente democrática que revela uma grande verdade: o melhor jeito de fazer política é conversando e não gritando. O senhor tem mostrado nos seus discursos por onde consegue “juntar” o povão, um destempero intragável, de gente pequena e um descontrole emocional jamais visto em um cidadão que preza o bem.

Outra perguntinha: caríssimo Lula, dizem que em política só vale vencer e que a vitória apaga os erros cometidos no passado. O que Vossa Excelência pensa desse “segredinho”? E, mais, caso a sua candidata vença a eleição deste ano, o senhor acha que esse triunfo conseguirá zerar as besteiras que fizeram companhia dela no passado?

Hoje, com o coração totalmente “baleado” envio o meu costumeiro abraço carinhoso, em forma de homenagem póstuma. Quis Deus que minutos antes da elaboração deste texto, eu fosse surpreendido com a notícia da morte de uma pessoa maravilhosa com quem convivi quase que diariamente por mais de três décadas: a fundadora do Departamento de Medicina Preventiva Social e Saúde Pública da saudosa FCMBB e do Centro de Saúde e Escola; uma política com todas as letras maiúsculas; uma democrata acima da média; uma secretária municipal de governos anteriores que revolucionou a saúde do nosso Município e uma leitora especial dos meus artigos semanais.

Infelizmente a estimada Professora Doutora Cecília Magaldi nos deixou, na noite do último 27 de setembro, para ir ao encontro Dele, o nosso Pai. Prezada “mestra”, que Deus a receba de forma tão grandiosa como foram os seus dias entre nós e que também abra todas as portas para que você possa continuar fazendo por aí, tudo aquilo que, com muita maestria, realizou por aqui. Querida e inesquecível companheira, a vida é mesmo assim; tenha certeza que um dia nós nos reencontraremos por aí. Até qualquer dia querida professora.

{n}Rubens de Almeida – Alemão
alemao.famesp@gmail.com {/n}