OITO ANOS DAS CASAS DE APOIO DA FAMESP: ATENDIMENTO “PRA” LÁ DE ACOLHEDOR

Sempre senti uma imensa alegria em poder compartilhar com meus leitores, ? s sextas feiras, aqui nesta coluna, minha opinião sobre alguns acontecimentos e situações que se tornam temas de debates; obviamente que em alguns casos, talvez pelo calor do meu envolvimento direto com o assunto fico mais feliz ainda.

E é exatamente dessa maneira que estou me sentindo hoje, até porque, busquei toda inspiração possível para trazer aqui a notícia de um programa de humanização que há oito anos faz a diferença lá pelos lados do nosso Hospital das Clínicas: O ATENDIMENTO MAIS QUE ACOLHEDOR DAS CASAS DE APOIO DA FAMESP (Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar).

Querido leitor, quis Deus que um dia (desses que só a força DELE pode dar suporte para continuarmos a ir em frente) eu me deparasse com um senhor da cidade de Paraguaçu Paulista (lamento por não me lembrar do seu nome) que estava deitado embaixo de uma das muitas árvores existentes dentro do campus Universitário da UNESP, sentindo-se muito mal.

Claro que de imediato busquei ajudá-lo, no entanto, sua esposa (uma senhora também idosa) me disse que aquele ‘mal estar’ era passageiro, pois todo dia após as aplicações que ele recebia o quadro era o mesmo. Muito enjôo e depois de alguns minutos tudo voltava ao normal.

Fiquei muitíssimo indignado com tudo o que acabava de presenciar, até porque, achava tudo aquilo um abuso. Mesmo aliviado ao ouvir as justificativas daquela senhora, imediatamente, levei o fato ao conhecimento do Doutor Pasqual Barretti, na oportunidade, Supervisor do HC. Pressenti que algo de bom iria acontecer, pois, o amigo Pasqual, logo no primeiro momento me fez acreditar que aquela queixa seria o ponto de largada para a solução dos muitos problemas deste nível enfrentados pelos pacientes, especialmente, aqueles que residem em cidades distantes de Botucatu. Graças a Deus tudo caminhou do “jeito que a gente gosta”.

Estávamos vivendo o mês de julho, bem próximo do final do meu mandato ? frente da ASU (Associação dos Servidores da UNESP) e, naquele mesmo mês recebi autorização do ilustre Supervisor para, junto com a Assistente Social, Solange de Moraes – na época responsável pelo Serviço Social Médico do HC – esboçar um programa que viesse por fim a essas lacunas (injustiças) ocorridas normalmente nos pós atendimentos médicos, dispensados pelo HC.

Sem medo de errar, pensamos em montar uma “casa” que pudesse abrigar, com dignidade, todos esses pacientes “forasteiros”. Nosso primeiro passo foi correr atrás de um prédio que oferecesse condições, no sentido do projeto sair do papel. Não deu outra: poucos meses depois (janeiro de 2006) inauguramos a primeira Casa de Apoio ao Paciente Oncológico, com capacidade para acolher 44 “hóspedes” de outras localidades, que se submetem a quimio e radioterapia aqui no nosso HC. Foi prazeroso demais!

O funcionamento do primeiro “abrigo” caminhava maravilhosamente bem, apesar do número pequeno de colaboradores que tínhamos ao nosso lado (cinco funcionários e cinco plantonistas), tanto que vislumbrávamos um segundo empreendimento deste nível. Isso foi só uma questão de tempo: dois anos após essa brilhante conquista, a “casa” que hoje abriga crianças também começou a funcionar.

Tudo foi acontecendo de um jeito magistral, algo que possibilitou outra “moradia” sendo entregue alguns meses adiante. Aliás, uma oportunidade que tivemos em ver os nossos esforços serem reconhecidos fora de Botucatu, mais propriamente, na esfera maior do país.

Construída dentro de uma área pertencente ? própria Fundação, esse “lar” (não podemos esquecer que o então Deputado Estadual por Botucatu, Doutor Milton Flávio Lautenschlager foi decisivo na sua concretização) que acolhe pacientes transplantados e mães de prematuros que necessitam de cuidados especiais no Berçário ou na UTI Neonatal do HC, pela maneira como foi projetada, serviu de referência para o Ministério da Saúde que, nos dias atuais, oferece esse benefício aos usuários do SUS em determinadas especialidades.

Hoje, com as graças DELE, o nosso PAI e também com todo o respaldo necessário da Diretoria da FAMESP, muito particularmente do seu Diretor Presidente Doutor Pasqual Barretti, possuímos quatro “lares” carinhosos; conseguimos acolher 104 pessoas (pacientes e seus acompanhantes) e somos um “time” de quase cinquenta colaboradores, entre funcionários, plantonistas e voluntários, bastante unido e pronto para oferecer um serviço de qualidade a quem nos procura.

Enfim, mais uma vez, acabei contemplado por Deus em poder afirmar que a vida é mesmo assim: “… sem tirar nem pôr…“, como diz o poeta. Êta vidinha danada! Que ELE continue ao nosso lado por muitos e muitos anos.

Parabéns, prezados amigos, diretores da FAMESP, por entenderem a importância de oferecer um atendimento refinado ? queles que vêm ao nosso HC na esperança de recuperar a saúde o mais rapidamente possível e, ao mesmo tempo, encontrar um “cantinho” especial para se alojar nesse período.

Parabéns, queridos colegas, do batente diário, nas nossas Casas de Apoio (todos, indistintamente) por toda dedicação, presteza e, principalmente carinho dispensado a quem, como “hóspede” nos propicia a chance de estarmos mais perto DELE, fazendo a nossa parte.

Meu fraternal abraço desta semana vai, exclusivamente, para o meu grande amigo Fábio Henrique Gonçalves, o mais graduado dentre os inúmeros Professores de Dança de Salão da terrinha, que completou mais um ano de vida dia 16 de janeiro.

Esse maravilhoso ser humano – aliás, um leitor assíduo dos meus “causos” aqui contados e, grande parceiro das causas sociais que, ao lado de outras pessoas do bem levo adiante com muito sucesso – “juntou” seus amigos, na noite do último sábado (18/01), lá na Ferroviária, para festejar, em meio a muito carnaval, essa importante data. Pena que não pude estar presente. Parabéns, grande Fábio!

Rubens de Almeida – Alemão
alemao.famesp@gmail.com