O MEU ADEUS AO GRANDE AMIGO PROFESSOR CLAUDIO RABELLO COELHO

Entra ano, sai ano e o nosso viver por este mundo incerto e passageiro continua cada vez mais misterioso. Cada dia que passa, esse “fenômeno” chamado vida nos prova que, de fato, não somos donos de nada diante das vontades DELE, o nosso PAI. Somos ínfimas partículas, grãos de areia no deserto, tamanha nossa pequenez.

Querido leitor, meses atrás fui convidado para participar do “Livro da Vida”, de uma figura encantadora da terrinha, minha amiga Elizabete do Carmo Pereira. Na oportunidade fui “intimado” a escrever algumas linhas para o seu mais novo “diário” (NÂO É TÃO DIFÍCIL COMO PARECE). Para tal, precisaria me utilizar de recursos linguísticos que retratassem a figura do “caipira” interioriano, ou seja, tinha que buscar inspiração maior para, em vez de escrever um simples artigo, contar um “causo”.

Evidentemente que não foi nada fácil, afinal, tratava-se de uma biografia sobre a trajetória de vida de uma pessoa que sempre viveu intensamente. De cara, rememorei as histórias contadas por um grande amigo que Deus me proporcionou (meu saudoso pai, senhor Antonio de Almeida) para concretizar este anseio.

Entre recordações de tantos relatos e, em meio ? muitas dificuldades, encontrei subsídios suficientes para, com propriedades, atender ao pedido da autora; ao final, consegui escrever um texto, a meu ver, muitíssimo “acaipirado”, cujo título impressionou a todos (SÓ CONTA CAUSO, QUEM CAUSO TEM “PRA” CONTAR!).

Confesso que além da “saudade do meu velho” (constante na elaboração deste “conto”), vieram-me outras memórias de tempos idos (lá de trás, também da minha mocidade), lembranças prazerosas colhidas do cotidiano vivido com outras pessoas, especialmente, uma de um ser humano de causar inveja, com quem convivi profissionalmente e que também me ensinou a “contar causos”: o Professor Doutor Cláudio Antonio Rabello Coelho.

É, minha gente, exatamente como disse no início deste texto, somos insignificantes perante o Todo Poderoso. Quando achamos que ainda temos muito o quê fazer por aqui, vem lá uma “determinação” DELE que coloca fim a uma história que pode ter alegrado muitos corações. Causos e mais causos acabam sendo contados, no entanto… , a fila continua andando!

E assim, com muita tristeza recebemos (eu e um “montão” de unespianos da “velha guarda”), na tarde da última sexta-feira (31/01), o anúncio do falecimento de um dos professores pioneiros da saudosa FCMBB – Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu, que, apesar de aposentado, continuava esbanjando competência na nossa “Faculdade”; um mestre que qualificou milhares de profissionais ao longo dos seus cinquenta anos de serviços prestados a Instituição; um pediatra do mais alto nível; um “baita” chefe de família; um ser humano que, certamente, deixará saudades entre os seus milhares de amigos e admiradores e um “paizão” desses que muitos gostariam de ter: o Professor Cláudio Rabello Coelho; a minha outra inspiração.

Que notícia triste! Como é difícil aceitar um momento desses, mesmo sabendo que é assim que a “fila anda”! Eta vidinha danada! Não dá para acreditar que, há menos de dois meses, o meu amigo Rodrigo Scala mostrou na sua coluna “Gente que Brilha” uma foto que vou guardar para sempre. No “retrato” tirado na festa de posse do Professor José Carlos Souza Trindade, na Academia Paulista de Medicina, estávamos “nóis”, eu e o Professor, com nossas esposas, a Doutora Kunie e a dona Rose.

Enfim, queira ou não, a vida é desse jeito: hoje estamos tristes pelo mestre Cláudio ter nos deixado; amanhã, certamente, alguém sofrerá com a nossa partida.

Caro professor tenha certeza: enquanto eu tiver forças para permanecer na nossa “Faculdade”, eternizarei os muitos “causos” que o senhor sempre contava, em finais de tarde, num dos únicos departamentos existentes na inesquecível FCMBB: o Departamento de Medicina.

Querido e já saudoso mestre, descanse em paz. Que ELE, o Dono de todos nós o receba com todas as glórias que um grande catedrático (como o senhor) faz por merecer; que ELE também proteja e dê forças para todos os seus familiares, muito especialmente, ? suas heranças e a sua outra metade, a também colega de trabalho de longos anos, Doutora Kunie Iabuki Rabello Coelho, para que superem a triste dor da sua partida. Até qualquer dia querido e inesquecível Doutor Cláudio; com certeza, um dia, voltaremos a nos encontrar.

Com o coração bastante “chacoalhado” envio um afetuoso abraço a outro profissional que cuida de crianças lá no nosso Hospital das Clínicas e que, com méritos, foi eleito Presidente da Sociedade Paulista de Terapia Intensiva, meu inseparável amigo Professor Doutor José Roberto Fioretto. Este grande colega de trabalho é uma das figuras mais conceituadas e dinâmicas do quadro de docentes da Faculdade de Medicina de Botucatu. Parabéns pela conquista, querido irmão.

Com carinho semelhante abraço outro “companheiro de estrada”, um grande parceiro das lutas que travamos em prol do bem – por sinal, com as graças de Deus, vem se recuperando maravilhosamente bem, de um pequeno problema de saúde, meu amigo e leitor assíduo das minhas narrativas semanais, João Batista Reche, o simpaticíssimo João da Refrilar.

Rubens de Almeida – Alemão
alemao.famesp@gmail.com