DE NOVO, O CORAÇÃO DA NOSSA GENTE VEIO AO NOSSO ENCONTRO.

Êta “nóis”, o que será que está acontecendo com a natureza? Será que ela também não entende o porquê dessa “bandalheira” toda que tomou conta da humanidade? É difícil aceitar que, neste lindo Brasil que estampa o majestoso slogan: “UM PAÍS DE TODOS”, estava escondido um “brasileiro” que fez escola para assassinar crianças. É, minha gente, realmente a “coisa tá brava”. Sem dúvida, tanto horror e crueldade misturados, nem mesmo a natureza consegue tolerar.

Apesar de tantas barbaridades (não têm sido poucas), que quase diariamente nos deparamos, a natureza continua linda e maravilhosa, mas já demonstra sua revolta com o mau uso que fazemos e, ora ou outra, fica enfurecida e, em forma de repúdio, mostra-nos o quanto somos pequenos diante da sua força e poder.

Exatamente assim, na tarde do sábado, 9 de abril, ela mostrou a sua “cara” e causou muito transtorno para uma enorme camada da população botucatuense. Uma inesperada chuva de granizo, sem piedade, castigou inúmeras famílias botucatuenses.

“Nóis” que estamos acostumados com essas adversidades, pois, já tivemos o “privilégio” de presenciar todo tipo de tempestades, naquele momento, até que achamos normal esse verdadeiro dilúvio; entretanto, quando tomamos conhecimento da gravidade e da proporção do estrago que vitimou muitos dos nossos irmãos, em especial, aqueles que compõem uma fatídica “faixa da miséria”, ficamos apreensivos e com o coração sem saber o quê fazer.

Claro que junto de nós, permanece diariamente, uma imensidão de pessoas que aprenderam que o segredo de ser feliz, está em proporcionar felicidade aos outros. E esse importante jeito de bem viver acabou fazendo a diferença e, principalmente, encontrando caminhos bem curtos para amenizar a dor que muitas famílias enfrentaram ao ver sua casa ser consumida pelo temporal.

Pois bem, caro leitor, iniciamos a segunda-feira com um único pensamento: ajudar aquelas famílias que perderam quase tudo com a chuva. De cara, ligamos para os amigos da Rádio Municipalista que, coincidentemente, já haviam sido chamados por pessoas que necessitavam de ajuda. Não deu outra; em poucos minutos de conversa, marcamos uma reunião do tipo “campanha” para a manhã seguinte.

O objetivo dessa ação era conseguir doações para a aquisição de telhas, até porque, muitas dessas famílias tiveram o telhado das suas “moradias” totalmente destruído pela chuva de granizo. Fomos de corpo e alma para essa “batalha”.

Acreditem! Em menos de duas horas de “bate-papo” com os ouvintes do programa “A Marreta”, angariamos recursos para a compra de mais de 250 telhas de Eternit. Como disse no título acima: DE NOVO, O CORAÇÃO DA NOSSA GENTE VEIO AO NOSSO ENCONTRO.

Daí para frente a situação parecia estar sob controle. Puro engano. Não foi nada fácil as visitas realizadas pelo grupo nas casas afetadas. Em cada “parada”, lá vinha uma história diferente; aliás, uma mais triste do que a outra. “Aqui tem uma senhora que não ouve e está se recuperando de uma cirurgia no intestino”; “ali, moram doze crianças, todas com menos de dez anos”; “aqui, reside um casal de idosos que repousa numa cama especial”; “moço, nós perdemos tudo, pelo amor de Deus nos ajude”; “eu não acredito, ainda não paguei o meu guarda-roupas e ele está todo esfarelado”. Assim foram as dezessete visitas feitas pelos amigos Wagner “Wawa” Rodrigues, Ondina Cotrin, Marcão Camilo, Cesar Junior e Vinicius dos Santos.

É minha gente, a vida é mesmo um grande mistério. O que explica uma família que labuta, dia após dia, para criar os seus filhos; um filho que sonha em cuidar dos seus pais enfermos, oferecendo-lhes, pelo menos um “cantinho” agradável; um casal que tenta, com muita luta, mobiliar o seu modesto lar, serem presenteados por essa mesma natureza com uma fatalidade desse porte? Confesso que não consigo entender.

De todas essas dúvidas, a única certeza que temos é que Ele, o nosso Pai, não nos abandona nunca. Por mais que a natureza queira nos castigar, a mão Dele sempre tem um peso a nosso favor.

Nesta catástrofe, com certeza, todos nós sofremos juntos. Quem perdeu, porque perdeu. Quem chorou, porque chorou a perda de algo que não podia perder e quem visitou, porque vivenciou um “tanto” que jamais imagina “pra” si.

Enfim, mais uma vez, depois de muita dor, acabamos contemplados por Deus com um presente especial, desses que recheiam o nosso coração e fortalecem a nossa alma: com a ajuda do povo, conseguimos, além de fazer a nossa parte, “pagar” um pouquinho do que devemos ao Criador.

Parabéns, queridos companheiros do Grupo de Amigos Voluntários e da Rádio Municipalista, por estarem de “mãos dadas” em outra ação benevolente.
Parabéns, queridos ouvintes desta que é, sem sombra de dúvidas, a “Rádio do Povo”, por entenderem, mais uma vez, o nosso chamado.

Meu carinhoso abraço desta semana é endereçado a duas figuras especiais do meu álbum de amigos que, inclusive, tiveram maiúsculas participações nesse “congraçamento”: o sempre solidário empresário Fernando Borgato, e o simpático companheiro Luis Francisco Ramos de Andrade, com quem, juntos, levamos o nosso apoio a uma das famílias mais afetadas nessa calamidade.