“FAZENDA” LAGEADO, A “MENINA DOS OLHOS” DE TODA UMA CIDADE

Confesso que desde que comecei a ganhar gosto pela arte de escrever, sempre tive uma enorme vontade de “falar”, nas minhas narrativas semanais, um pouquinho da beleza e, principalmente, da importância que sempre foi para a nossa gente, a eterna “Fazenda” Lageado.

Esse patrimônio histórico da municipalidade é o principal ponto turístico de Botucatu, retrato vivo da história da época da expansão cafeeira no Oeste Paulista. O fácil acesso, a segurança e principalmente as belezas da fazenda fazem com que milhares de pessoas a visitem diariamente para caminhar, fotografar o conjunto de edifícios históricos, respirarem o delicioso ar puro da rudimentar avenida ladeada por árvores de eucaliptos e locais bucólicos, além de ser um ótimo local para relaxar e meditar.

Claro que quando estive pela primeira vez naquele cantinho especial da cidade, na época, administrado pelo IBC – Instituto Brasileiro do Café – a nossa conceituada Faculdade de Ciências Agronômicas ainda não havia sido implantada, no entanto, o belo local que hoje encanta a população botucatuense já existia; não tinha como deixar de visitar, aos finais de semana, o nosso simpático e atraente Lageado.

Lembro-me com muito saudosismo das “peladas” das quais participava todos os domingos no campo de futebol lá existente – onde, inclusive, dei minha contribuição para a colocação de alambrado ao seu redor – cujo gramado é considerado pelos “boleiros” da terrinha, como um dos melhores da cidade e, mais ainda, do aprendizado que absorvi convivendo com um dos maiores empreendedores do mundo do futebol amador: meu inesquecível amigo Nico Zanetti, ex-funcionário do IBC, que hoje mora no céu.

Com a implantação dessa progressista Unidade Universitária da UNESP (FCA), tudo ficou melhor ainda, aliás, mais uma vez, consolida-se a tese de que tudo aquilo que já é belo, se bem cuidado, tende a ficar ainda mais lindo. A tradicional Fazenda Experimental Lageado, não só se transformou num respeitável Campus Universitário como ainda recebeu (e continua recebendo) os cuidados vitais ? preservação de suas riquezas de preço inestimável para o ambiente em que vivemos.

Hoje, sem medo de errar, podemos afirmar que a “Fazenda” Lageado é o pulmão da nossa cidade. Isso tudo graças ao comprometimento de Professores como Júlio Nakagawa, Flávio Abranges Pinheiro, Ricardo de Arruda Veiga, Elias José Simon, Carlos Antonio Gameiro, Leonardo Theodoro Bull e atualmente, Edvaldo Domingues Velini (pioneiros da Agronomia dos tempos da FCMBB e outros ex-alunos desta instituição que não para de crescer) que acabaram escolhidos diretores ao longo dos anos e, juntamente com seus vices e assessores, não fizeram outra coisa a não ser trabalhar e trabalhar.

Nos dias atuais, essa beleza de lugar, mesmo diante das novas opções de lazer esportivo e dos diversos empreendimentos oferecidos pelo poder público (pista do Estádio “Professor João Roberto Pilan”, academias ao ar livre, parque municipal e outros) ainda é muitíssimo visitado e apreciado. Todos os dias, o local fica colorido, cheio de gente que caminha pelas suas principais avenidas, tornando o local um excelente ponto de encontro e de estilo de vida saudável.

Pena que vivemos num país rico em belezas naturais e pobre em sentimento de cidadania; um Brasil sem efetiva aplicação das leis – que não são poucas – onde tudo parece dar certo para quem vive em função do erro e da malandragem e nem mesmo lugares maravilhosos como a nossa “Fazenda” Lageado, está livre da bandidagem e da cafajestagem.

Vez ou outra, algum grupelho de vândalos se atreve a “tirar o sossego” dos que ali frequentam. Porém, na maioria das vezes, o “bicho pega”; meus colegas de trabalho (que não são poucos) lutam arduamente para poupar essa riqueza municipal e botam ordem na casa.

Enfim, “nóis” que adoramos fazer a nossa caminhadinha por lá e respirar aquele arzinho tipicamente do campo algumas vezes por semana, não temos outra coisa a fazer senão parabenizar todo o pessoal que compõe a família unespiana do Campus Universitário do Lageado, muito especialmente os seus diretores que tiveram a felicidade de transformar a antiga propriedade do IBC, na “menina dos olhos” de toda uma cidade.

Com muita humildade, envio o meu afetuoso abraço desta semana, a dois leitores diferenciados da minha coluna semanal; dois amigos com os quais, convivo quase que diariamente no nosso Hospital das Clínicas, desde os tempos da saudosa FCMBB – Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu: o maior flamenguista do Brasil, Professor Augusto Cesar Monteli e o sempre jovem Doutor Gilberto Rondinelli.

Caro Giba, quem sabe um dia, ELE, o nosso PAI, me premiará com a publicação de um livro contando a minha história de vida. Se isso acontecer, com certeza, apareceremos “juntos na fita”, até porque, temos uma amizade bonita e respeitosa que, nenhum de nós, sabe quando ela se iniciou.

{n}Rubens de Almeida – Alemão
alemao.famesp@gmail.com