Trocam-se os cachorros, mas não os adestradores

Situação ou oposição! Par ou ímpar! Ou um ou outro! Simples assim! É como deveria ser formado a Câmara dos Deputados e Senado, que compõem o Congresso Nacional. Entretanto, dezenas de partidos se dividem entre a oposição e outros tantos a situação.  Porém, nunca o Congresso Nacional esteve tão fragmentado com parlamentares pertencentes as mais variadas legendas. Vamos dar uma terceira opção, admitindo até uma quarta, mas nada além disso.

Na Câmara dos Deputados foram eleitos nada mais nada menos representantes de 28 partidos, entre os 513 deputados. No Senado são 18 entre os 81 senadores. Imaginem a dificuldade que vai ser aprovar uma simples medida provisória. É muito partido! É muita liderança!  Cada qual visando seus próprios interesses, procurando levar o maior peixe para o seu samburá.

Pior que entre os eleitos estão homofóbicos, ladrões, vigaristas, oportunistas, estelionatários, entre outros que têm um projeto nababesco de grudar feito carrapato estrela nas benesses do poder. Poucos aqueles eleitos com ideologia e espírito público.  Hoje existem 32 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas na escalada que a coisa anda chegar-se-á aos 40, brevemente.

E no momento de buscar alianças para cargos majoritários é um Deus nos acuda! Aí não falta aquele com pasta embaixo do braço, fazendo reuniões aqui e acolá, transformando cada eleição num balcão de negócios. Não é nada fácil negociar com 10, 15 ou 20 partidos, cada qual fazendo seu quinhão de exigências.

Apregoa-se que essa “multidão escandalosa” de partidos faça parte da democracia. Entretanto, nenhuma democracia se sustenta com a existência de agremiações funcionando mais como cabides de emprego do que como partidos políticos, com programas definidos a serem cumpridos e aperfeiçoados.

Os mandatários desses pequenos partidos (ou nanicos) querem apenas negociar apoios e horários nos programas gratuitos. E não têm nenhuma vergonha de apoiar aquele (partido) que lhes dê maiores vantagens e cargos nos escalões de governo, onde a corrupção rola solta. Que democracia, que nada!  Dane-se a ideologia!

Esse sistema é semelhante ao usado no tráfico de entorpecentes. Os “mulas” são usados para transportar a droga para que os “laranjas” ou adolescentes vendam drogas em “biqueiras”, mas o dono da droga, quase sempre, se mantém no anonimato. Muitas vezes existem indícios claros de quem são os grandes caciques do tráfico, mas eles são muito espertos e, na maioria das vezes, não deixam provas que os incriminem.

Deixando de lado essas comparações, o certo é que para tentar mudar o sistema viciado e corrupto, somente uma reforma política ampla, total e irrestrita. Mas sabe quando isso vai acontecer? Nunca! Porque os safardanas da política vão mexer num sistema que é o ideal para eles? Esse sistema é um câncer maligno encalacrado no coração da corrupção.  

Deveria ser diferente, mas no cenário político brasileiro se dá bem quem rouba melhor. E há conivência entre os partidos e sempre haverá aqueles que vão para o holocausto assumindo culpas para serem queimados pela mídia, mas muito raramente são punidos. Devolver dinheiro, nem pensar!  E para os partidos serão apenas peças a serem substituídas em prol do eterno esquema de corrupção já enraizado no sistema.  Trocam-se os cachorros,  mas os adestradores permanecem.