Tortuosa caminhada rumo ? Assembléia Legislativa

Quando eu disse aqui nesse mesmo espaço editorial que seria uma utopia acreditar que os partidos políticos poderiam se unir para eleger um deputado estadual e outro federal de Botucatu, teve quem me chamasse de pessimista, pois a Cidade estava acima das vaidades pessoais e ideologias partidárias.

Veja bem! Estamos em janeiro e já temos quatro candidatos a deputados estadual. Dois deles: Fernando Cury (PPS) e Renato Galendi (DEM) já estão em campanha desde o ano passado. O advogado Carlos Roberto de Souza, o Beto, já recebeu aval do diretório estadual do PP para disputar o pleito. Um quarto nome vem do PT, possivelmente, o ex-prefeito Mário Ielo. Poderemos, ainda, ter um quinto ou um sexto nome, quem sabe?

Claro que seria muito interessante que os partidos da Cidade se unissem como em 1994 na eleição de Milton Flávio com o slogan “Acorda Botucatu!”, onde a maioria dos partidos aderiu campanha. Naquela ocasião mais de 60% dos votos foram conquistados na Cidade, que tinha 58.228 eleitores. Foram poucos os votos buscados fora e ele se elegeu com 34.315 votos. Na eleição seguinte (1998), mesmo tendo votos em 400 municípios, ficou apenas na suplência.

Atualmente temos em Botucatu, aproximadamente, 92 mil votos e, pelo menos, 22 mil deles, pela média, serão brancos ou brancos, somando também aqueles que não comparecem. Outros tantos serão distribuídos entre os candidatos que são de outras regiões e cada qual virá buscar o quinhão de votos em Botucatu. Nada anormal, pois os candidatos daqui também vão buscar votos lá fora. Mas, eles levam outros milhares de votos. Vamos arriscar 30 mil. Então, já se foram 52 mil votos e sobraram apenas 40 mil.

Nessa estatística, se um dos candidatos (das quatro forças que se apresentaram até agora) obtivesse 50 % dos votos sairia de Botucatu com 20 mil e teria que ir buscar lá fora muito mais. É possível? Claro que é, ninguém está dizendo o contrário, mas é muito mais complicado. Prometer apoio é uma coisa, mas dar o apoio é outra. Na política o jogo de interesses impera. Infelizmente.

Dos atuais deputados da Assembléia Legislativa de São Paulo, 18 deles foram eleitos com menos de 70 mil votos. O mais votado desse grupo foi Marco Aurélio de Souza (PT) com 69.485 e o menos votado foi Bolçone (PSB), com 31.274 votos. Entre esses 18 deputados estão políticos conhecidos como Chico Sardelli (PV – 68.721); Davi Zaia (PPS – 68.658); José Cândido (PT – 68.202); Maria Lúcia Amary (PSDB – 67.804); Pedro Bigardi (PC do B – 67.758); Cauê Macris (PSDB – 66.412); Geraldo Vinholi (DEM – 62.580); José Bittencourt (PDT – 58.954); Salim Curiati (PP – 57.727); entre outros.

Claro que isso dependeu da matemática do complicado coeficiente eleitoral onde nem sempre o mais votado assume a cadeira. Por isso o trabalho tem que ser muito bem feito. Torço mais do que ninguém para que Botucatu volte a ter representatividade na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Mas, se fizermos uma viagem ao tempo e somarmos o número de deputados eleitos por Botucatu, os dados não são animadores. Se computarmos os eleitos tomando como base os cinco dedos da mão direita, teremos dedo sobrando.