Tem “coisa” que só acontece no Brasil

Venho tecendo, até (reconheço) de forma constante meus comentários sobre os desmandos da classe política no Brasil e a falta de caráter e honestidade da esmagadora maioria desses safardanas que compõe assembleias legislativas e, principalmente o Congresso Nacional, esta uma  instituição “hors concours”.

Lá não existem limites e é um Deus nos acuda para aproveitar o máximo do mandato e fazer das tripas o coração para entrarem em negociatas espúrias que lhes rendam dinheiro, que é principal (senão  o único) motivo de estarem lá, já que não há garantias que estejam na próxima legislatura. Então (quase) tudo vale. 

O descrédito é tanto que esta semana uma das pessoas que assistia a sessão legislativa mostrou a bunda aos parlamentares que estavam no plenário.  Também essa semana a doleira Nelma Kodama protagonizou uma cena inusitada quando prestava depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobrás. Ele á acusada de atuar em parceira com Alberto Youssef no esquema da Operação Lava Jato.

Ao ser questionada se tinha sido amante do doleiro Alberto Youssef, respondeu: "Depende do que o senhor entende como amante. Eu vivi maritalmente com Alberto Youssef do ano de 2000 a 2009. Amante é uma palavra que engloba tudo, né? Amante é ser amigo, é ser esposa, por ser tudo". Em seguida, cantou (pasmem) um trecho da música Amada Amante, de Roberto Carlos. E alguns deputados (acredite quem  quiser) riram.

Nelma já foi condenada a 18 anos de prisão por evasão de divisas, operação de instituição financeira irregular, evasão de divisas tentada, corrupção ativa e pertinência a organização criminosa. Está presa desde março do ano passado por ter sido flagrada com 200 mil euros dentro da calcinha no Aeroporto de Guarulhos. Nelma desmentiu a história, rindo com muito sarcasmo. "Duzentos mil euros são dois pacotinhos. Eles não estavam na calcinha e sim no bolso detrás da calça", afirmou, levantando-se, virando-se de costas e mostrando como escondeu o dinheiro nos bolsos traseiros.

E as manchetes dos veículos de comunicação (jornal, televisão, internet) vivem repletas de notícias de fraudes, corrupção, promessas eleitorais não cumpridas, má gestão, desmandos, etc. Com tudo que acontece nesse país fica difícil concordar com a frase:  “enquanto há vida, há esperança”. Será que há luz no fim do túnel?

Por tudo que acontece nesse país não se pode criticar um professor universitário de São Paulo, que virou manchete. Cansado de ver o Brasil nadando em corrupção ele desistiu da vida e de lecionar, reuniu os alunos e levou todos marchando para um bar cantarolando uma música que fez sucesso no nordeste: "vamos embora para o bar, beber, cair e levantar".

A Secretaria de Educação enviou nota dizendo que é inadmissível que um professor carregue os estudantes para o bar. O professor se defendeu dizendo que inadmissível é ver os políticos carregando o dinheiro dele para o bolso.  E assim caminha esse Brasil. Vamos embora para o bar, beber, cair e levantar.