Só milagre divino segura Felipe Massa na Ferrari

Sergio Pérez (México), Kimi Raikkonen (Finlândia); Nico Rosberg (Alemanha); Daniel Ricciardo (Áustria); Pastor Maldonado (Venezuela); e Paul di Resta (Escócia). São alguns pilotos que estão sendo apontados para substituir o brasileiro Felipe Massa na Ferrari, que tem contrato até o final dessa temporada.

As especulações aumentaram em torno da saída de Massa em razão das declarações do próprio presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, no início da semana que afirmou que ainda não sabe quem será o parceiro de Fernando Alonso na temporada 2014, sem dar sinais de que o contrato de Massa como segundo piloto seria renovado.

No ano passado, a temporada de Massa havia sido muito ruim, mas melhorou nas corridas finais e isso lhe assegurou um lugar na equipe ferrarista em 2013, com boas perspectivas de uma temporada promissora. Porém, não foi isso que aconteceu. Massa está há 77 corridas sem vencer sendo este o maior jejum de vitórias de um piloto da história da Ferrari.

Os números da carreira de Massa como piloto de uma grande equipe, reconheçamos, não são os melhores. De 2002 a 2013 Massa correu 183 grandes prêmios, somando 716 pontos, tendo 11 vitórias, 36 pódios, 15 poles positions e 14 voltas mais rápidas. Venceu pela primeira vez na Turquia em 2006 e a última no Brasil em 2008.

Com um modesto 7º lugar no campeonato de pilotos de 2013 e uma diferença de 84 pontos para seu companheiro de equipe (151 a 67), o futuro do piloto de 32 anos e que passou toda sua infância em Botucatu, onde se iniciou no kart, é incerto na F-1 em 2014. Uma pena, pois muita gente apostava que faria grande sucesso na F-1, desde que foi contratado pela Sauber, em 2002, depois de “encantar” os europeus com seu arrojo nas pistas sendo campeão da Fórmula Chevrolet (1999); Fórmula Renault Italiana (2000); Fórmula Renault Europeia (2000) e Fórmula 3000 Euro-Series (2001).

A melhor temporada de Massa na F-1 foi em 2008 na 59ª edição da categoria tendo como campeão o piloto o inglês Lewis Hamilton, então na McLaren. Naquele ano seu companheiro de equipe, o alemão Michael Schumacher se acidentou e não disputou o título. Com isso, todas as atenções da Ferrari foram voltadas ? Massa, que tinha tudo para conquistar o seu primeiro título, apesar dos erros nos boxes cometidos pelos mecânicos da escuderia italiana.

Felipe Massa terminou como vice-campeão mundial de F1 a um ponto de Hamilton. O título foi decidido na última curva da última volta da última corrida da temporada, o Grande Prêmio do Brasil, vencido por Felipe. Na ocasião, já tinha começado a chover e todos os seis primeiro pilotos do grid, já estavam de pneus intermediários, exceto o alemão Timo Glock, que estava na quarta posição. Faltando três voltas para o fim Sebastian Vettel ultrapassou Glock, que caiu para quinto lugar.

Na penúltima curva, da última volta Timo Glock, ainda de pneus slicks (para pista seca), não tracionou o carro direito e Lewis Hamilton, concorrente ao título, que vinha no “desespero”, ultrapassou o alemão na última curva (no momento em que Felipe Massa já havia cruzado a linha de chegada), indo a quinta posição, colocação que deu o título a Hamilton. Quem esquece aquele pesadelo? Foi inacreditável! Perder o título no GP do Brasil, em Interlagos! O último da temporada! Na última curva! Por um único ponto! Foi demais! Nosso grito de campeão ficou entalado na garganta.

Para quem torceu, vibrou e chorou pelos campeoníssimos Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e o melhor de todos, de todos os tempos Ayrton Senna da Silva, assistir a Fórmula1 sem ter a emoção de ver um piloto brasileiro entre os melhores, disputando um lugar no pódio é frustrante. Pior: não se vislumbra luz no fim do túnel.