Será que já perdemos a batalha para o traficante?

Concordo em gênero, número e grau com o delegado titular da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE), Paulo Buchignani, quando realça que a repressão não é o caminho mais eficaz para se combater o tráfico. A droga não é um problema exclusivo da polícia e sim da sociedade como um todo.  É nosso!

As forças de segurança da Cidade formada pelas polícias Civil e Militar e Guarda Civil Municipal trabalham, e muito, na repressão (e posso falar isso com conhecimento de causa, já que acompanho esse trabalho) e as prisões por tráfico lideram as ocorrências policiais cotidianas. O grande trabalho feito em Botucatu na repressão ao tráfico é inquestionável. 

Que (a repressão) tem que ser feita, não se discute, mas a solução do problema está na Educação e na elaboração de programas sociais preventivos. Coisa que os governantes ignoram e a cada dia que passa a situação se agrava. Difícil prever onde isso vai chegar. Sabe aquele frase que diz “Vamos educar as crianças para não termos que punir os adultos?”. A frase no papel é linda e sugestiva, mas na prática inexiste.

Prender traficantes nas muitas “biqueiras” espalhadas por diferentes pontos da cidade é enxugar gelo com toalha.  E essas biqueiras não estão instaladas em locais inacessíveis. Há muito que saíram dos becos escuros e bairros periféricos para ganhar as regiões mais centralizadas da cidade.

O pior é que grande parte dessas biqueiras é “administrada” por adolescentes que atendem a “clientela” mantendo pouca quantidade de droga em seu poder e deixando porções espalhadas em locais distintos. Se forem apreendidos, não é raro escaparem da punição protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Saem mais rápido da delegacia do que os policiais que os levaram.

E existe uma espécie de fila de espera. Se a polícia tira um adolescente da biqueira pela manhã, outro ocupa seu lugar à tarde. De cada 100 adolescentes apreendidos em ocorrências policiais, pelo menos 85 deles estão envolvidos com o tráfico de entorpecentes.

Fala-se muito em diminuir a maioridade penal já que adolescente de hoje, com 15, 16 ou 17 anos sabe muito bem o que faz e tem consciência do que é certo e o que é errado. Não sou contra a diminuição da maioridade penal. Mas será que não iríamos transferir um problema de um lado para o outro?

Se o sistema penitenciário atual não comporta a maioridade penal a partir dos 18 anos, imaginemos como ficaria esse mesmo espaço com aqueles de 15, 16 e 17 anos que cometem atos infracionais graves. É uma faca de dois gumes. Problema social de difícil solução.

A maioria (dos adolescentes) entra para a criminalidade incentivada, principalmente, por traficantes que oferecem o ganho do dinheiro fácil e vêem no crime a possibilidade de sustentar suas famílias e na maioria dos casos sustentar o próprio vício.  E aquele que vem de uma família desestruturada e pobre está mais vulnerável para entrar no submundo do tráfico, de onde é muito difícil de sair.

Entre as drogas mais conhecidas, o crack é a que tem uma ação devastadora no organismo e a principal porta de entrada para crimes graves como roubos, sequestros, homicídios, latrocínios e extorsão.  E não se vê uma luz no fim do túnel.

E os desgraçados que poderiam fazer alguma coisa ficam em seus luxuosos gabinetes, preocupados apenas em sorver as benesses do poder, na busca desenfreada pelo enriquecimento a qualquer preço, vomitando demagogia. Dane-se o povo!  Dane-se a desigualdade social. Dane-se a falta de educação, o lazer, o esporte, o desemprego! Enfim, dane-se!!!