Repúblicas estão sempre presentes nos noticiários

E vamos nós outra vez!

Na região do Jardim Paraíso, onde estão concentradas 80% das repúblicas de estudantes em casas alugadas, os moradores vizinhos continuam reclamam dos excessos. As festas, segundo eles, regadas de muita bebida alcoólica e barulho, atravessam a madrugada atrapalhando o sono de quem mora nas proximidades.

Aquele setor da Cidade faz parte da área da 2ª Central de Polícia Judiciária que tem o registro de todas as repúblicas instaladas e muitas denunciadas por perturbar o sossego público já foram identificadas. Na delegacia os estudantes são alertados que serão responsabilizados criminalmente e a Faculdade de Medicina será comunicada, mas isso não os incomoda muito. O temor deles é quando são alertados que, se houver reincidências, os pais serão intimados a comparecer na delegacia. A última coisa que querem é, por culpa deles, ver os pais numa delegacia.

Outro dado importante a ser ressaltado é que, aos olhos da Justiça, a perturbação do sossego público não vale só para o horário noturno.  A lei é clara e não especifica horário, tanto faz se for três da tarde, como três da manhã. O crime é o mesmo. Por isso, se as pessoas se sentirem prejudicadas com o barulho alheio devem acionar a polícia, independentemente da hora.

E é bom destacar que existe uma entidade denominada União das Repúblicas Universitárias de Botucatu (URUBU) que agrega 50 repúblicas (mais ou menos 500 pessoas) que representa os estudantes, procurando melhorar o relacionamento e a convivência entre eles, dando-lhes todo apoio que necessitam.

Seria interessante que os diretores da URUBU atentassem para esses desmandos que são cometidos por determinadas repúblicas. Não que os estudantes em suas horas de folga sejam impedidos de se divertir ou se confraternizar com festas, mas tudo tem um limite e os excessos devem ser combatidos. Não há como negar que os trotes violentos continuam sendo praticados, até com denúncias de estupros.

E isso se transforma numa bola de neve, pois aquele estudante de hoje submetido à violência (e a humilhação) do trote como calouro, amanhã como veterano vai querer fazer o mesmo. O pior é que muitas agressões ficam restritas entre quatro paredes. Os agredidos temem denunciar para não sofrer represálias. E assim vai. Ano a ano.  

Cebolas! Que prazer pode sentir uma pessoa vendo o semelhante ser ridicularizado e agredido de diferentes formas? O agravante é que quem faz isso são pessoas cultas, que após a formatura desempenharão importante papel na sociedade. Como a cabeça de um profissional formado vai trabalhar tendo nas costas, por exemplo, um estupro impune? E quem foi estuprada?

É preciso parar com esses desmandos. E sabem o que mais assusta? Muitos estudantes “trotistas” irão se formar e constituir família e os filhos poderão seguir o mesmo caminho, ou seja, estudar Medicina. Como fica um pai ao saber que sua filha ingressou na Faculdade e poderá ser vítima do mesmo crime (no caso estupro) que ele cometeu no passado? Pimenta nos olhos do outros é refresco!