Reforma política não passa de uma piada

O nosso “querido” Congresso Nacional está “trabalhando” para votar as reformas políticas tão esperadas pelos brasileiros e clamadas nas ruas. Porém, na verdade, eles não estão mudando absolutamente nada. Ou seja, tudo está ficando do jeitinho que sempre esteve. A única novidade (se é que podemos chamar assim) foi o fim da reeleição para prefeitos, governadores e presidentes. Em contrapartida,  aumentam o mandato dos governantes para cinco anos.

E cá entre nós, o fim da reeleição era esperado.  Cartas marcadas. Fizeram o óbvio. Nem eles aguentaram essa sistemática absurda e antidemocrática de poder que  torna a eleição desigual. E porque não dizer desleal. Quem está num desses cargos e busca a reeleição tem a favor de si a máquina administrativa.  Então, de todas as propostas, esta era a votação mais lógica. Com resultado previsível.

Seria sim uma mudança substancial  se eles tivessem a coragem de acabar com a reeleição de deputados (estaduais e federais) e senadores. Mas sabem quando isso vai acontecer? Nunca! Esses pilantras (com raras exceções) querem se perpetuar no poder, com campanhas alicerçadas pelo dinheiro dos empreiteiros de obras públicas superfaturadas.

Não podemos esperar que venha dessa classe política viciada onde a maioria é corrompida,  uma reforma substancial, que mude os rumos do país e minimize a corrupção generalizada e encalacrada nos tentáculos do poder.  Infelizmente essa gentalha tem redutos eleitorais sólidos e faz com que  a reeleição seja (quase) uma barbada. Porque, então,  não votam contra a reeleição no Congresso Nacional, assembleias legislativas e câmaras municipais?

Isso sim seria uma verdadeira reforma. Todo político eleito deveria ser proibido de disputar a reeleição. Com isso cumpriria o mandato e ficaria fora do pleito subseqüente e só poderia se candidatar novamente na eleição seguinte.  E assim, sucessivamente. Nesse período de “descanso” entre uma eleição e outra ele também não poderia ocupar nenhum cargo público.

Outra reforma interessante seria por um fim a ditatorial obrigatoriedade do voto. Não é admissível que esses congressistas safardanas (a maioria, sempre é bom repetir, já que ainda existem os poucos políticos de boa índole) continuem obrigando a população a votar.  Esse resquício da ditadura faz com que o brasileiro seja cerceado do seu direito de não votar. E muitos congressistas de hoje são oriundos daquele abominável regime do “cale-se”.

Então não tenho dúvida em afirmar com todas as letras que  a reforma política que está sendo discutida em Brasília  e que afeta a todos nós, do Oiapoque ao Chuí,  não passa de uma piada. De muito mau gosto. Eles brincam de legislar com o povo. Pena que o brasileiro dependa da vontade dessa gente inescrupulosa e rapace, para tentar viver, pelo menos, com dignidade.