Quem nunca sonegou atire a primeira pedra

Ser sócio do governo é, realmente, é uma faca de dois gumes. Três, se isso fosse possível.  Uma sociedade injusta onde um paga por tudo e perde o tudo que tem e o outro leva o lucro e cobra tudo que pode. Assim é o imposto que todo brasileiro é obrigado a pagar. Sem exceção. E a eficiência da cobrança é assustadora. E inapelável! O pior de tudo é que o governo tem legitimidade para tributar, porém usam mal o dinheiro tributado. E ponha mal nisso!

Sonegação, pela lei, é crime e existe desde que o Brasil era colônia de Portugal.  Se vivo fosse, Tiradentes, novamente, teria bons motivos para lutar contra o apetite fiscal do governo central e 222 anos depois da sua morte, embora o Brasil tenha se livrado de Portugal, manteve a mesma ganância tributária da época da Derrama.

No Brasil se paga muito imposto e tem uma das taxas mais altas do mundo.  A finalidade dos impostos – que existem em todos os países – é manter a estrutura pública funcionando. Isso inclui os serviços de educação, saúde, moradia, segurança, esporte, lazer cultura, enfim, melhorar a qualidade de vida do cidadão. Porém, mesmo arrecadando bilhões de reais de impostos, o governo não faz sua parte. Isso não seria crime? O governo não está sonegando benefícios?

Essa mesma lei que manda cobrar, deveria também exigir que o dinheiro fosse bem aplicado. Mas essa lei é caolha e só enxerga um lado. Se esse país fosse justo, os agentes do estado que cobrassem tributos teriam de ter boas razões para fazê-lo. Tendo tais razões, precisariam usá-los bem. Porém, cobram-se mais impostos proporcionalmente a renda dos mais pobres do que dos mais riscos. Justiça, só a divina.

A maioria esmagadora dos brasileiros carece de saúde, de educação, segurança e outros ítens básicos para que tenha uma qualidade de vida pelo menos, razoável. No mínimo digna. Entretanto, isso não acontece. E é exatamente o brasileiro de menor poder aquisitivo que não pode sonegar.  Aliás, não tem o que sonegar. Cada produto legalmente vendido no País vem com o imposto embutido. Desde uma bala até carro de luxo. A maioria não percebe, mas ele está lá. Se fugir dele, não come.

Temos que aceitar calados que o estado tem legitimidade para elaborar leis, pois são os eleitos que nos representam que fecham os olhos as diferenças sociais que aumentam ano a ano. Seriam eles, em nossos nomes, que deveriam exigir e fazer com que direitos individuais e o interesse público fossem preservados. Mas, vem deles os maus exemplos e o dinheiro do imposto penetra nas entranhas da corrupção. Sai do bolso do trabalhador e entra nas contas voluptuosas de muitos salafrários com sanha insaciável de enriquecer a qualquer custo.

Se por um lado isso me estarrece, por outro me faz pensar que cada cidadão tem que cumprir um papel nessa nossa curta vida terrena. Como cristão que sou não posso conceber que uma pessoa que só teve do bom e do melhor e que viveu a custa do sofrimento e da humilhação alheia tenha uma vida tranquila depois de sua morte. Por isso, é bom que muita gente aproveite bem seus anos nababescos de vida na terra, pois terá muitos séculos para se arrepender fora dela.