Os custos nababescos e obscenos de políticos

Não é segredo para ninguém meu desalento com a classe política do Brasil, principalmente, nos bastidores daquele balcão de negociatas espúrias  chamado Congresso Nacional, onde o apego a materialidade  e o enriquecimento ilícito à custa do erário público envolvem pelo menos 90%  dos  deputados e senadores.  Não estamos generalizando, já que ainda acreditamos que existam políticos bem intencionados. Estatisticamente são poucos, mas existem.

E essa malfadada esmagadora maioria não está nem aí com os problemas do Brasil. Só pensam em si mesmos. Só uma pequena parcela ainda tem ideologia de melhorar a vida do cidadão brasileiro. É só fazer uma pesquisa e comparar o patrimônio passado e presente  de cada candidato.  O que eram ontem e o que são hoje. Caras de pau!  Ladrões! 

Grande parte dessa leva é acusada de corrupção envolvendo milhões de reais e faz parte do dia a dia no seio da política, em todas as áreas. E essa corrupção enraizado no Brasil,  que antes era discutida a sete chaves em encontros ultra-secretos, hoje está banalizada e é negociada em locais públicos como restaurantes. 

Atualmente os parlamentares estão votando o que chamam de uma reforma política (que de reforma não tem nada). A única coisa substancial (se é que podemos chamar assim) votada até agora foi o término da reeleição de prefeitos, governadores e presidente. Porque esses (…) de terno e gravata não aprovam,  por exemplo,  a extinção da reeleição também para o Congresso Nacional, Assembleia Legislativa e Câmara Municipal?  A resposta é obvia.

E porque não aprovam, também, o final do voto obrigatório? Ou a proibição de doações milionárias de empresas nas campanhas?  Ao invés disso aprovam um limite de R$ 6 milhões como teto máximo de gastos de campanha. Opa! Essa merece repetição! Os deputados e senadores podem gastar “apenas” R$ 6 milhões na campanha. E, pasmem, alguns acham pouco!

Vamos fazer um exercício simples: um deputado federal recebe de salário mensal R$ 33.763,00, ou R$ 438.919,00 por ano. Pelos quatro anos de mandato soma R$ 1.755. 567,60.  Porém o (… ) tem outros direitos adquiridos como ajuda de custo, verba de gabinete, cotão, entre outros.  Com isso,  o valor que cada deputado recebe por mês é de R$ 147.659,96.  Num ano, R$ 1.919.5798,48. Pelos quatro anos de mandato custa aos cofres públicos algo em torno de R$ 7.6 milhões. Isso sem contar viagens e gastos gráficos.

E olha que temos no Congresso Nacional 513 deputados e 81 senadores, que trazem na bagagem milhares de funcionários comissionados (os borra–botas ou cheira-peidos), muito deles notórios bandidos, além de outros milhares concursados efetivos que ganham salários exorbitantes.

O interessante é que o salário da presidente da República é de R$ 30.900,00. No mínimo, um despropósito! Apesar dos direitos que tem.  É o mesmo salário dos ministros. Sendo assim, melhor não citar o custo mensal de cada senador que, além dos vencimentos,  tem o obsceno mandato de oito anos. Somando tudo o que tem direito ele supera (acredite se quiser) até os ganhos nababescos do deputado federal.

E os deputados das 27 assembleias legislativas brasileiras com seus assessores (muitos dos quais criminosos que não valem uma cueca freada) também causam um impacto bastante significativo aos cofres públicos, com ganhos mensais que podem alcançar até 70% aos dos deputados federais.  E os vereadores das câmaras municipais, por sua vez, podem ter salários de até 70%  dos deputados da Assembleia Legislativa do seu respectivo estado. É dinheiro, gente!

Pense agora quantos zeros são necessários para colocar,  numa única conta,  os gastos públicos no Brasil juntando o Congresso Nacional,  Presidência da República, Governo Estadual,  Governo Municipal e Câmara Municipal.  Daria, com certeza, para comprar um VW Fusca  1200, ano 66 original ou um Ford Maverick 76,  duas portas e quatro cilindros, reformado.