O melhor caminho é sempre o diálogo

Tem que ser aplaudida a negociação feita esta semana entre o Sindicato dos Metalúrgicos, Diretoria Executiva da Caio/Induscar e trabalhadores. Mostraram que o diálogo é sempre o melhor caminho para se resolver um impasse e chegar a um denominador comum. Sem radicalismo.

A crise que afeta o país não é segredo para ninguém e não se sabe até quando isso vai durar. Por isso, é premente que se busquem alternativas. E foi isso que vimos em Botucatu. Para evitar demissões a empresa fez a proposta da redução de jornada de trabalho e salário.

É evidente que ninguém, em sã consciência, gosta de ter o salário diminuído e os trabalhadores da Caio/Induscar não são diferentes. Mas a situação exigiu essa atitude urgente. E todos entenderam que estavam num mesmo barco.

Em votação a esmagadora maioria optou pela redução da jornada e salário por 90 dias, prorrogáveis por mais 90.   Isso com a promessa que nesse período não haverá demissões. O placar? 2.184 favoráveis e 435 contra.  Outros 11 funcionários não optaram.

Com isso os funcionários passarão a trabalhar quatro dias por semana, ou seja, de segunda a quinta-feira e vão ver 20% a menos no holerite. E a empresa vai produzir menos e terá o mesmo percentual de perda no  faturamento. Mesmo assim (por incrível que pareça) todos, mesmo perdendo, saíram ganhando.

O empresário Maurício Lourenço da Cunha adiantou que para diminuir o impacto dessa redução a empresa fará o adiantamento da primeira parcela do 13º salário, em três vezes, para todos que tem direito. Também mantém benefícios como Unimed para toda a família, alimentação, transporte, dentista, fisioterapeuta e outros programas.

Também o presidente do sindicato Miguel Ferreira da Silva creditou como correta a decisão dos funcionários.  Entende que é melhor perder 20% no salário do que ficar sem emprego e sem os benefícios, principalmente num momento complicado da economia, quase sem oferta de empregos.

Pra nós,  do outro lado, acostumados a cobrir negociações tensas e acirradas entre sindicatos e empresários,  onde uma parte tenta tirar o máximo da outra, esta é uma situação nova.  E positiva.  Tá certo que a situação levou a isso, mas a maneira como tudo isso foi conduzido é que é interessante.  

E quem sabe esse mesmo clima de cordialidade também se faça presente em negociações futuras de reajuste salarial no dissídio. Neste caso recente, funcionários, diretoria da empresa e sindicato  mostraram  que o melhor caminho é diálogo. E que nem sempre quem perde, realmente, perde.