Lugar de mulher é na política

Administrar, cotidianamente, uma casa, com filhos, contas, limpeza, refeições, compras e tantos outros afazeres, definitivamente, não é uma tarefa das mais fáceis. E grande parte ainda trabalha fora. Isso só poderia ser realizado por uma mulher.  Poucos homens têm essa capacidade (pessoalmente, não conheço nenhum).

E a história nos mostra que a mulher sempre foi discriminada e isso ainda ocorre nos dias atuais. Claro que houve grandes avanços, mas  é muito pouco pelo que a mulher representa em nosso meio social.  

É grande o número de casos de violência doméstica (com centenas de mortes), mesmo com a Lei Maria da Penha e exploração sexual. Com exceções, é claro, no campo de trabalho não é fator comum a mulher exercer cargos de liderança e mesmo desempenhando as mesmas funções que os homens, o salário é inferior. Enfim, na nossa sociedade a mulher ainda sofre discriminação e precisa de muitas outras conquistas. Que, certamente, virão!

Mas quero aqui me reportar a situação da mulher na política ao longo dos anos.  Durante grande parte da História do Brasil República, as mulheres foram excluídas de qualquer participação. A elas eram negados os principais direitos políticos como, por exemplo, votar e se candidatar. Somente em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas, as mulheres conquistaram o direito do voto e ocuparem cargos públicos.

Depois as mulheres foram ganhando espaço político e passaram a eleger prefeitas, governadoras, senadoras deputadas e vereadoras. Inúmeras delas. Mas somente entre 24 de agosto de 1982 e 15 de março de 1985, o Brasil teve a primeira mulher ministra de Estado: Esther de Figueiredo Ferraz, ocupando a pasta da Educação e Cultura. Em 1989, ocorre a primeira candidatura de uma mulher para a presidência da República. A candidata era Lívia Maria Pio, do PN (Partido Nacional).

Em 1990, Zélia Cardoso de Mello foi empossada como a primeira e única mulher a ocupar o cargo de ministra da Fazenda. Em 2006, Ellen Gracie, então Presidente da Suprema Corte, foi, interinamente, a primeira mulher presidente do Brasil. Na necessidade do Presidente, do Vice e dos presidentes do senado e câmara baixa irem à Argentina, ela foi à Base Aérea se encontrar com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão do cargo.

Em 31 de outubro de 2010, Dilma Rousseff (PT – Partido dos Trabalhadores) venceu as eleições presidenciais no segundo turno, tornando-se a primeira mulher a ser eleita presidente da República Federativa do Brasil. Foi reeleita em 2014. Ela é a segunda mulher chefe de estado do Brasil República, e a 5ª Chefe de Estado da História do Brasil, 195 anos depois de D. Maria I.

Falando em Botucatu, nas eleições deste ano, a esmagadora maioria dos candidatos para a Câmara Municipal é do sexo masculino. Não se vislumbra (até agora) uma candidatura feminina postulando o cargo de prefeito. Seria interessante ver como a Câmara se comportaria com um número razoável de mulheres, quatro (das onze cadeiras possíveis), por exemplo, debatendo os principais problemas da cidade.

Na atual legislatura apenas Rose Ielo, representa a ala feminina e promove debates acirrados como oposicionista. Ela foi a única eleita embora o número de eleitores masculinos e femininos seja equivalente. Se houvesse consenso as mulheres poderiam colocar, com tranqüilidade, cinco ou até seis representantes no legislativo botucatuense no pleito deste ano.  Poder de voto elas têm. E muito! Mas existe aquela velha história de que mulher não “aprecia” votar em mulher.  Mas, já imaginaram a Câmara Municipal composta em sua maioria por mulheres?


Quico Cuter