Impeachment poderia trocar seis por meia dúzia

Eu não sei qual será o resultado da manifestação que está pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff, mas isso mostra que a população pode estar aniquilando um processo que é comum ás vésperas das eleições: a mentira. Os candidatos prometem tudo a todos e nunca cumprem nem a metade da metade da outra metade do que prometeram. E fica por isso mesmo. Na eleição seguinte voltam a prometer tudo que não irão cumprir. E o povo se deixa levar.  Por isso esse tipo de manifestação é válido para, pelo menos, diminuir o insuportável índice de corrupção que está instalada no país.

É a corrupção  encalacrada no País que faz com que  políticos e agentes públicos enriqueçam fora de seu padrão salarial e não demonstrem a origem do aumento patrimonial. A lei deveria fazer com que as pessoas perdessem propriedades ou de bens caso os proprietários não consigam comprovar tê-los adquirido de forma lícita, legal. Mas, o desvio dos recursos públicos passou a ser norma cotidiana, já que ninguém fiscaliza ninguém.

Por isso, o Ministério Público entende que não há fundamento para impeachment no momento. A presidente embora soubesse de tudo o que ocorria na Petrobrás, foi “inocentada” pelo MP que não a colocou na lista dos envolvidos e não a aponta como partícipe de atos de corrupção. Não será investigada, pelo menos nesse momento.

Ela, segundo os olhos do MP não pode ser destituída por omissão, a menos que fosse comprovado que agiu intencionalmente para causar danos ao país. Até os maiores juristas brasileiros divergem sobre isso. Uns acreditam que cabe o impeachment e outros não. Se nem os juristas se entendem sobre as minúcias da lei, imagine nós, pobres mortais.

Tentar emplacar uma nova versão do movimento (maravilhoso) dos caras-pintadas que contribuíram para a derrubada de Fernando Collor, em 1992, me parece meio temeroso nesse caso, pois se vislumbra uma estratégia política para tirar a presidente do poder. Depois de Collor, 61 pedidos de impeachment foram feitos. Enquanto Dilma já recebeu 10 pedidos, Lula teve 34 em seus mandatos, e Fernando Henrique, 17.

Entra governo, sai governo, e o impeachment segue como discurso acionado pela oposição diante do agravamento de qualquer crise. Com a estratégia, os adversários contribuem para desgastar os adversários mesmo que não consigam tirá-los do poder. Assim é a nossa política. O Brasil acaba ficando em meio a brigas intermináveis dos interesses políticos dessa corja. Isso vale tanto para a situação como para oposição. Farinha do mesmo saco.

E agora imaginemos a possibilidade de um impeachment da presidente Dilma. Assumiria a presidência do Brasil, o vice Michel Temer. Socorro! O vice-presidente é de um partido de conveniência que vive à sombra do poder e só pensa em cargos. Esteve com Fernando Henrique Cardoso, caiu nas graças do Lula e abraçou Dilma. Se o Aécio tivesse ganhado a eleição era no colo dele que o partido estaria nesse momento.

A corrupção é inquestionável e está alastrada no Governo Federal. Será que se o PSDB tivesse vencido as eleições ela seria extirpada como um passe de mágica? Evidentemente que não. Seria necessário uma renovação geral no Congresso Nacional e tirar essas imundícies de políticos profissionais que estão no poder a dezenas de anos e têm estreitas ligações com as empreiteiras (sempre as mesmas) que desviam milhões dos cofres públicos com obras superfaturadas.

E no recheio desse imenso bolo da corrupção tem gente de todos os partidos.  Dos 513 deputados e 81 senadores do Congresso Nacional uma minoria absoluta (10%, se muito) ainda está compromissada com o País. A esmagadora maioria só pensa na política como um meio de enriquecer sem fazer força. Então, impeachment neles!