Impeachment e delação tomam conta da capital do improvável

impeachimentRealmente o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado é digno de artistas de teatro amador circense em início de carreira, com todo respeito que os valorosos artistas merecem. As discussões entre membros da oposição e situação são esdrúxulas e não acrescentam em nada o desenrolar do processo. Muito pelo contrário. Isso sem falar dos cansativos e improdutivos depoentes que respondem as repetitivas perguntas dos senhores “juízes” promotores por horas a fio. Falam muito, mas não dizem absolutamente nada.

Um lado é doido para cassar, o outro desesperado para evitar a cassação que parece inevitável. Como em se tratando de política tudo pode acontecer. Não se pode descartar nem mesmo o que parece improvável: a volta de Dilma Rousseff ao poder. Vamos aguardar. Enquanto isso haja “peço a palavra” e “pela ordem”. E o que saí de bobagem é o ápice da imbecilidade e contrasenso.

O “general” da tropa de choque da presidente alcunhado de “lindinho”, senador Lindbergh Farias, por exemplo, no ápice de seu discurso inflamado saiu-se com esta pérola: “O primeiro país onde se aplicou o neoliberalismo foi na China, no governo de (Augusto) Pinochet (ditador do Chile)”. Só faltou afirmar que o Chile é província do China. Ou vice versa. Pior foi o comandante geral da tropa, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, que incluiu certo “Tomás Turbando Bustamante” na lista dos doutores que combatem o que chama de golpe contra a presidente.
Paralelo ao espetáculo circense do impeachment as delações premiadas de diretores de estatais e políticos presos está deixando o Congresso Nacional em polvorosa com a operação Lava Jato. Vários “caciques” de diferentes estados e grandes (e também pequenos) partidos políticos estão sendo denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR) por recebimento de propinas e mesadas de grandes empreiteiras e estão impunes. Claro que é necessário a comprovação dos fatos, mas alguns nomes chamam a atenção pelo papel que exercem em seus respectivos partidos.
Luiz Inácio Lula da Silva e seus adoráveis filhos, seguido de Ideli Salvati, Cândido Vacarezza e Michel Temer (SP), Renan Calheiros (AL), José Sarney e Romero Jucá (RR), Jader Barbalho (PA), Edison Lobão, Waldir Maranhão, Sarney Filho e Fernando Collor de Mello (MA), Aécio Neves (MG), Agripino Maia (RN), Luiz Sérgio, Henrique Eduardo Alves, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha (RJ), Valdir Raupp (RO), Gleise Hoffman (PR), Humberto Costa (PE), Tião Viana (AC), são alguns que foram denunciados.
E a pensar que o mensalão, que envolveu e levou à prisão várias personalidade políticas, assessores e empreiteiros era considerado a maior operação criminosa da história do país. Perto da Lava Jato o mensalão é furto de laranja em quitanda. O Zé Dirceu, que está preso acusado de “gerenciar” o mensalão é trombadinha comparado a alguns desses criminosos profissionais que desviaram em milhões de dólares e estão livres, leves, soltos e felizes. E olha que a Lava Jato está longe do seu desfecho final. Muita coisa ainda vem por aí. Isso se ela não for, estrategicamente, interrompida.

Como eu já disse, anteriormente, na política tudo pode acontecer. Não estranhem, portanto, se nas próximas semanas o procurador Rodrigo Janot, autor das denúncias contra essas ratazanas políticas, sofrer um processo de impeachment pelas mãos do presidente do Senado, Renan Calheiros, com apoio dos denunciados que querem de qualquer maneira sepultar a incômoda Lava Jato. Cuide-se, também, intrépido juiz Sérgio Moro, que essa gente não tem escrúpulos e é capaz de tudo. Não nos esqueçamos de Celso Daniel e os sombras da vida.

Quico Cuter