Fome insaciável por dinheiro público

Praticamente, todo o dia é fator comum os principais noticiários das televisões brasileiras mostrar a situação falimentar que se encontra a saúde pública, com hospitais e prontos socorros super lotados. Pessoas buscam a cura para seus males, porém o atendimento é precário, muito aquém das necessidades. Falta um pouco de tudo, principalmente, médicos. Não são raros casos em que as pessoas acabam morrendo. Isso acontece do Oiapoque ao Chuí.  

Esse descaso com a saúde tem muito a ver com a corrupção que está enraizada no país, principalmente no Congresso Nacional, onde deveriam ser debatidos os principais problemas do país e as alternativas para buscar soluções. Entretanto, é lá que está o cerne da corrupção fazendo com que o dinheiro que poderia ser investido em áreas prioritárias, como a saúde, acabe no bolso dessa classe odiosa da política, afetando, diretamente, milhões de brasileiros. São escassos os políticos com a ideologia de legislar pelo Brasil. A esmagadora maioria, infelizmente,  legisla em causa própria.

E não bastasse isso, o político eleito tem o direito de nomear seus assessores diretos, ou cargos de confiança, muitos deles criminosos que respondem pela prática de vários e diferentes crimes. E isso não fica restrito apenas ao Congresso Nacional. A febre dos assessores está espalhada também nas assembleias legislativas, câmaras municipais e governos federais, estaduais e municipais. 

Não queremos dizer aqui que todas as pessoas nomeadas em cargos de confiança sejam iguais. Muito longe disso! Mas que existe uma cambada inescrupulosa e rapace que só pensa em levar vantagem e engordar suas contas bancárias, não há como negar. Eles desviam bilhões. Aproveitam o máximo para fazer o “pé de meia”, já que não têm certeza se continuarão a viver essa boa vida no mandato seguinte.

Esse tipo de situação, ou seja, pessoas que se aproveitam do cargo para enriquecer não é tão difícil de comprovar. Basta comparar o patrimônio daquele que foi nomeado assessor, agente, secretário, ou seja lá o que for, quando iniciou sua atividade com a atual. Tem gente que entrou com um VW Fusca e está saindo com uma frota de BMW, literalmente, falando. Ou seja, entra, digamos, remediado e sai rico. Alguns, muito ricos.

E não para por ai. Alguns aproveitam o mandato como assessor para criar empresa, colocando laranjas para administrar e “trabalha por fora” fazendo tráfico de influência nos bastidores para captar clientes. Geralmente, seu nome nunca aparece. Ou melhor, não pode aparecer. Nem na razão social. Mas é ele que mais trabalha. E é o que manda! E todos que fazem parte dessa sórdida e nojenta falcatrua, saem no lucro. E que lucro!

E tem outra coisa nesse nosso país varonil. Mesmo que a falcatrua ou casos de corrupção sejam comprovados, a pessoa pode até perder o cargo (ou mandato) e em situação mais grave ser presa por um determinado período, mas mantém o patrimônio, mesmo que este tenha sido,   comprovadamente, construído com o dinheiro da corrupção. Para essa gente uns dias “de molho” na cadeia, realmente, compensam. O crime compensa!

A Operação Lava Jato, por exemplo, já prendeu várias pessoas envolvidas nesse lodo da corrupção e fica a pergunta: Quanto, em dinheiro, foi devolvido aos cofres públicos? Bilhões de reais continuam nas contas bancárias desses bandidos, espalhados em bancos de paraísos fiscais, no exterior. Eles podem ser, temporariamente, presos (alguns até já estão), mas suas fortunas permanecem intactas e protegidas.

Então, não se vê uma luz no fim do túnel. O político que deveria ser o representante legal da população é o maior câncer que está encalacrado de forma tal no país que é impossível ser extirpado em médio prazo. Por isso, enquanto esses safardanas enriquecem com uma fome insaciável por  dinheiro público, o povo que paga, religiosamente seus impostos, carece, além da saúde já citada como referência, de segurança, educação, cultura, esporte e lazer, saneamento básico, moradia…