Felipe Massa não é mais o mesmo

Desde a manhã do dia 25 de julho de 2009, no circuito de Hungaroring, nos treinos classificatórios do GP da Hungria, em que sofreu um grave acidente, o piloto brasileiro Felipe Massa, da escuderia Ferrari, não foi mais o mesmo. Naquele dia Massa foi atingido na cabeça por uma peça da suspensão traseira (mola) da Brawn de Rubens Barrichello, que atravessou seu capacete e atingiu a parte frontal esquerda de sua cabeça. Por muito pouco a peça não atingiu o olho do piloto de Botucatu, que ficou em coma induzido por vários dias.

De lá pra cá seu rendimento nos treinos classificatórios e nas corridas têm ficado muito aquém da sua realidade. Massa assegurou seu lugar na Ferrari por causa de seu arrojo, de sua determinação, de sua vibração e vontade de vencer, mas sua performance nos últimos anos é pífia. Parece que não corre mais com aquela auto-confiança que fez dele a esperança do torcedor brasileiro voltar a vibrar com a Fórmula 1, nas manhãs domingo.

A melhor temporada de Massa na F-1 foi em 2008 na 59ª edição da categoria tendo como campeão o piloto o inglês Lewis Hamilton, da McLaren. Naquele ano seu companheiro de equipe, o alemão Michael Schumacher (esse dispensa comentários), se acidentou e não disputou o título. Com isso, todas as atenções da Ferrari foram voltadas ? Massa, que tinha tudo para conquistar o seu primeiro título, apesar dos erros nos boxes cometidos pelos mecânicos da escuderia italiana.

Entretanto, na última volta, quando a torcida já estava comemorando o título, Hamilton fez uma ultrapassagem e “roubou” o nosso título chegando em 5º lugar. Massa venceu a prova, mas nosso grito de campeão ficou entalado na garganta. E o pior é que Massa foi vice-campeão com apenas um ponto de diferença de Hamilton. Foi inacreditável! Perder o título no GP do Brasil, em Interlagos! O último da temporada! Na última curva! Por um ponto! Foi demais!

“Tᔠcerto que não podemos descartar que a Ferrari, nos últimos anos não conseguiu um carro competitivo, mas a diferença entre Massa e seu companheiro de equipe, o espanhol Fernando Alonso é enorme, reconheçamos. Os carros são iguais (ambos péssimos), mas o desempenho de Massa é preocupante em relação a Alonso. Especialistas do mundo automobilístico dão como certa sua saída da Ferrari ao final da temporada de 2012. Se sair (da Ferrari) nessa situação, Massa não terá uma equipe de ponta para correr em 2013.

Seria frustrante para o povo brasileiro, em especial, para Botucatu, onde Massa passou toda sua infância, não ter mais para quem torcer em 2013 na F-1. Parece que estamos caminhando a passos largos para isso. Não haverá tempo hábil para a Ferrari dar aos seus pilotos um carro competitivo. Só que Alonso é um gênio e consegue tirar leite de pedra, obtendo resultados expressivos, mesmo com um carro ruim. Mas, Alonso é Alonso e Massa é Massa. Não há como fugir dessa realidade.

Como consolo (?) teremos que nos contentar (pasmem) em assistir o Rubens Barrichello na Fórmula Indy. Se ter bom caráter ganhasse corridas seria campeão todos os anos. Com folga! Pelo menos todos sabemos que Barrichello é bom piloto, mas limitado e não nos fomenta esperança. Como segundo piloto é o sonho de consumo de qualquer piloto de ponta. E não estranhem se no ano que vem ele for (re) contratado pela Ferrari, para ser escudeiro e trabalhar para que Alonso dispute o título e se consagre como tri-campeão.

Para quem torceu, vibrou e chorou pelos campeoníssimos Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e o melhor de todos, de todos os tempos Ayrton Senna da Silva, assistir a Fórmula1 sem ter a emoção de ver um piloto brasileiro entre os melhores, disputando um lugar no pódio é frustrante. Pior: não se vislumbra luz no fim do túnel.