Estamos mesmo perdendo batalha para o traficante

Não dá mais para se ter dúvida. É como tentar enxugar gelo com toalha. Estamos, gradativamente, perdendo a batalha para os traficantes. Se é que já não perdemos. A droga saiu dos becos escuros e das favelas, para ganhar a luz das regiões centrais das cidades. Botucatu não foge a regra. E o traficante está sempre buscando inovações para dificultar o trabalho policial.

A mais comum, atualmente, é usar o adolescente que fica em pontos de vendas de drogas conhecidos como “biqueiras”. Ele atende o “cliente” mantendo pouca quantidade de droga em seu poder e deixando porções espalhadas em locais distintos. Se for apreendido, escapa facilmente de uma punição, pois passa por usuário. Ele sai mais rápido da delegacia de que quem o levou.

O interessante é que existe uma fila de espera, uma rotatividade. Se a polícia tira um adolescente da “biqueira” pela manhã, outro ocupa seu lugar ? tarde. De cada 100 adolescentes apreendidos em ocorrências policiais, pelo menos 85 deles estão envolvidos com o tráfico de entorpecentes.

Fala-se muito em maioridade penal já que adolescente de hoje, com 15, 16 ou 17 anos sabe muito bem o que faz e permite que ele tenha condições e consciência do que é certo e o que é errado. Não sou contra a diminuição da maioridade penal. Mas será que não iríamos transferir um problema de um lado para o outro?

Se o sistema penitenciário atual não comporta a maioridade penal a partir dos 18 anos, imaginemos como ficaria o sistema encarcerando nesse mesmo espaço aqueles de 15, 16 e 17 anos que cometem atos infracionais graves. É uma faca de dois gumes. Um problema social de difícil solução.

A maioria (dos adolescentes) entra para a criminalidade, incentivada, principalmente, por traficantes que oferecem o ganho do dinheiro fácil e vêem no crime a possibilidade de sustentar suas famílias e na maioria dos casos sustentar o próprio vício ocasionando um grave conflito social. O tráfico acaba com a infância, com a juventude do adolescente e afeta diretamente a família.

Entre as drogas mais conhecidas, o crack é a que tem uma ação devastadora no organismo e a principal porta de entrada para o crime, muitos deles graves como roubos, sequestros, homicídios, latrocínios e extorsão. E aquele que vem de uma família desestruturada e pobre está mais vulnerável para entrar na criminalidade.

E não se vê uma luz no fim do túnel. Os que poderiam fazer alguma coisa, acabando com a corrupção, propagando a política da desigualdade social, da falta de educação, do lazer do esporte, do desemprego, estão preocupados apenas em sorver as benesses do poder, na busca desenfreada pelo enriquecimento a qualquer preço. Dane-se o povo!

Por isso é que se diz que o rico, dificilmente, vai pra cadeia. E é verdade. Com todas as brechas que existem na lei, os advogados conseguem livrar muita gente, mas para isso tem que doar a maior parte do seu dia na defesa do cliente e isso custa dinheiro. Muito dinheiro. Com isso prende-se o ladrão de mortadela e deixa-se em liberdade o ladrão que desvia milhões e continua impune. A conta do tráfico é a mesma. Então… Salvem-se quem puder!