E pensar que PT e PSDB já foram deveras unidos

vetor-queda-de-braco_25-20923Pessoalmente, tenho amigos de ambos os lados, entretanto não enxergo a possibilidade de haver uma relação política amigável entre PT/PSDB, na atual conjuntura. Seja na esfera nacional, estadual ou municipal.  Em tempo: não estou filiado a nenhum partido.

Agora nossos simpáticos representantes, arautos da democracia,  estão discutindo a possibilidade de antecipar as eleições para presidente da República.  Porém, cada lado busca, pura e simplesmente, enxergar o próprio umbigo.  Que democracia que nada!  Na verdade é mais uma queda de braço entre oposição e situação. Um lado não quer que Dilma Rousseff reassuma a presidência. O outro briga para que Michel Temer saia dela.

É paradoxal a classe política falar em eleição democrática se ainda vivemos o resquício da ditadura, onde se obriga o brasileiro a votar. O correto seria termos voto livre. Eu como eleitor,  deveria ter o direito de não ir votar. Mas,  tentar abrir diálogo dessa envergadura na esfera política é utopia. É enxugar gelo com toalha. Os partidos têm ideologias antagônicas. Se um lado concorda, o outro faz questão de discordar, mesmo concordando.

E a pensar que os dois maiores expoentes do PT e PSDB, dois ex-presidentes que tiveram dois mandatos consecutivos,  Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso,  já estiveram do mesmo lado muitas vezes. Eram muito unidos. Os partidos nasceram no coração da esquerda paulistana, com concepções políticas e econômicas muito parecidas.

A convergência era tamanha que Lula e FHC chegaram a discutir a possibilidade de fundar um partido socialista juntos nos anos 70, todavia a idéia ficou no entretanto e não chegou ao finalmente. O destino não quis. Daquele grupo, uns saíram para criar o PT e outros, anos depois, o PSDB.

Só para contar um episódio dessa união, sem falar da campanha “Diretas Já!”,  em 1978 Lula distribuiu panfletos caminhando por bairros de São Paulo pedindo votos para o então candidato FHC que pleiteava uma cadeira no Senado. E foi eleito. As coisas começaram a mudar quando FHC foi nomeado ministro no governo de Itamar Franco. Ao longo dos anos a situação só piorou. E como!

Hoje as idéias não coadunam. Tudo diverge. Os filiados podem conviver socialmente, é claro, mas os partidos não. É como colocar água e óleo em porções iguais dentro de uma tigela.  Irão ocupar o mesmo espaço, porém, não vão se misturar.  É mais ou menos por aí. A corrupção existe no Brasil desde o seu descobrimento (talvez antes dele), mas para o PT a corrupção se consolidou no governo do PSDB e este afirma o contrário.

O pior de tudo é que a grande maioria dos parlamentares (poucos escapam), que ocupam os suntuosos gabinetes na Câmara dos Deputados, Senado Federal e Assembleias Legislativa não têm, absolutamente, nenhum compromisso com o país. É o poder pelo poder.  Seja do PT, do PSDB, ou de outro partido qualquer. Poucos têm espírito público. E haja corrupção!  Aqui vamos abrir um parêntese, pois nem todo político é corrupto, “apenas” a maioria deles.

Quico Cuter