Dedo na ferida – “O início”

{n}Não somos iguais{/n}

Segundo a Constituição Federativa do Brasil, “Somos (os brasileiros) todos iguais perante a Lei”. Essa frase, embora bonita, é uma das maiores fraudes desse País. Não somos iguais perante a lei. Mesmo!

A Justiça restringe-se apenas aqueles que podem arcar com as despesas de renomados (e caríssimos) advogados. Quem não pode pagar fica sujeito a uma defesa frágil, onde o advogado se atém apenas em acompanhar o caso. É certo que nenhum advogado vai tirar dinheiro do bolso para defender quem quer que seja.

E uma boa defesa exige gastos, que não estão embutidos na defesa gratuita, custeada pelo governo. Por essa razão é que prende-se, por exemplo, um ladrão de salame no supermercado e absolvem-se ladrões de colarinho branco que roubaram (e continuam roubando) milhões, dos cofres públicos.

{n}Daniel e Hamilton{/n}

O que todo mundo achava improvável, acabou acontecendo. Hamilton Régis Policastro, responsável pela HRP Produções Artísticas, entrou o ano de 2010 separado do cantor Daniel. Uma parceria que teve início em 1987 em Botucatu e, de maneira, ainda não muito bem explicada, terminou. Muita coisa aconteceu, depois daquele primeiro show da dupla contratado pelo empresário na cidade de Barão de Antonina – SP.

Muitos leões foram mortos para que esta parceria chegasse ao apogeu que chegou. Dividiam tudo, até fatos trágicos como a morte de João Paulo. Agora o caso virou especulação da imprensa nacional. O real motivo dessa separação não deverá ser conhecido. As argumentações de motivos particulares do cantor não convencem ninguém. Isso só importa ? s duas partes. Mas, a gente pode aqui fazer suposições para tentar entender.

{n}Daniel e Hamilton II{/n}

A explicação das duas empresas que passaram a empresariar Daniel, situada em Brotas e que levam o nome do pai e do próprio cantor, foram curtas e grossas ao divulgar a nota da separação. “Não cumpriremos mais contratos feitos pela HRP”. Uma nota nem um pouco amistosa. Até o próprio Hamilton se mostrou chateado com a frieza desse comunicado. E não reconheceu nele a “letra” de Daniel. Mais um mistério que cerca essa separação.

Nós que acompanhamos toda a trajetória dessa parceria ao longo desses 22 anos, não poderíamos deixar de lamentar a forma como isso foi tornado público. E também se encerra saga do Daniel Futebol Clube, time de futebol criado pela dupla e que realizou dezenas de partidas amistosas de futebol pelo Brasil, praticando a solidariedade.

{n}Lá é igual cá{/n}

Por força da profissão me vejo obrigado a, regularmente, acompanhar o trabalho dos políticos do Congresso Nacional e Assembléia Legislativa de São Paulo. É penoso assistir aos verdadeiros shows de demagogia que eles proporcionam em plenário. Dão azia até em Sonrizal.

No Congresso Nacional os políticos de oposição, principalmente o DEM e PSDB procuram, de todas as formas desestabilizarem os atos do presidente Lula. Na Assembléia Legislativa é diferente: O PT é quem faz de tudo para tentar comprometer o governo de José Serra, do PSDB. E o povo que se dane, pra não dizer outra coisa.

{n}Mensalão de todos eles{/n}

Um embate antológico ocorreu quando o caso do mensalão foi denunciado pelo então deputado federal e aliado de Lula, Roberto Jéferson. Ele alegou que parlamentares estariam recebendo uma propina mensal para votar os projetos de interesse do governo, lembram-se? Os recursos para isso eram capitaneados pelo empresário Marcos Valério, de Minas Gerais. “O carequinha de Minas gerais”, como dizia Jéferson.

Isso causou uma verdadeira hecatombe no reino petista, que viu vários de seus membros mais ilustres como José Dirceu e José Genoíno e tantos outros deputados atrelados ao governo, acusados de participarem, diretamente, de tudo. Hoje todos estão novamente mandando e desmandando no partido. Só sobrou (por enquanto) o ex-tesoureiro do PT, da era mensalão, Delúbio Soares, que continua na “moita”, mas deve voltar logo, já que pretende se candidatar a algum cargo público ou ser nomeado para assumir alguma estatal.

{n}Mensalão de todos eles II{/n}

Porém, o PT se defendeu e alegou que o mensalão começou mesmo no PSDB anos antes na candidatura de José Azeredo ao governo de Minas. Azeredo, que hoje é senador da República, teria recebido dinheiro de um esquema montado pelo “especialista” Marcos Valério, o “muso” do mensalão.

Agora um novo caso de mensalão foi detectado, desta feita no DEM, com a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, denunciado como pagador de propina para deputados distritais e assessores. A imagem de políticos recebendo dinheiro é uma das coisas mais bizarras e nojentas já vistas na história política deste país. Desta feita, pelo menos, ao que parece, o empresário Marcos Valério, injustamente, foi deixado de lado. Parece…

{n}Mensalão de todos eles III{/n}

Então ficamos assim: o PSDB acusou o PT de ter praticado o mensalão, que por sua vez de defende afirmando que o mensalão começou mesmo no PSDB. Agora o dito cujo foi filmado dentro do DEM, que sempre esteve atrelado ao PSDB, que não suporta o PT que conseguiu apoios importantes de políticos do PMDB, que manda no Congresso Nacional e faz o que quer no governo Lula, que por conta da governabilidade, engole tudo que o PMDB faz e abraça quem, no passado, ele sempre tachou de safados e corruptos.

O pior de tudo isso é que esses políticos que são acusados de tantas barbaridades, dificilmente ficam longe do poder. Em seus redutos eleitorais eles dominam os eleitores e sempre conseguem se eleger pelos seus estados. Exemplo disso temos Fernando Collor de Mello, Renan Calheiros, José Sarney, Romero Jucá, entre tantos outros, que estão no poder a vários anos e vão morrer nele. A não ser que eles próprios queiram sair, pois todos têm as eleições, antecipadamente, garantidas por esquemas políticos ardilosamente montados.

{n}Queda de braço{/n}

Essa briga entre oposição e situação não fica restrita ? Brasília. Na Assembléia Legislativa de São Paulo, a mais interessante (se é que podemos chamar assim) é a que envolve o deputado Milton Flávio (PSDB), líder do governo e os deputados do PT. Às vezes chega a ser hilariante. Vem um deputado petista e diz cobras e lagartos da administração do governador Serra, na tribuna. Esperando, pacientemente, pela sua vez de falar (e fala todo dia) o deputado Milton Flávio, sai em defesa do governador, procurando desmentir o que os petistas disseram, não perdendo, é claro, a oportunidade de alfinetar o presidente Lula.

Aliás, neste aspecto o governador Serra deve muito ao Milton Flávio. Isso porque é o único parlamentar da base do governo que, quando em plenário, sai em defesa do governo com muita veemência e constantemente entra em embates com políticos do PT, principalmente Rui Falcão,Vanderlei Siraque e Roberto Felício. Porém Milton Flávio é um deputado suplente e se o titular retornar a Assembléia, deve deixar o cargo, daqui a algumas semanas. Com a possível saída de Milton Flávio o governo ficará carente de uma defesa contundente contra os petistas.

{n}Briga caseira{/n}

Que o deputado Milton Flávio será candidato ? reeleição, ninguém duvida. A dúvida que paira no ar é se o PSDB de Botucatu vai fechar questão em torno de sua candidatura.

E a coisa não está nada fácil para o candidato tucano e se cogita outra alternativa com a possível candidatura do Secretário de Educação Narciso Minetto Júnior, que vem fazendo um trabalho elogiável no comando de sua pasta. Porém, dificilmente o diretório estadual daria duas legendas do partido para Botucatu. E não se pode esquecer que Milton Flávio é líder do governo na Assembléia Legislativa.

Agora se fosse feito uma convenção municipal do partido entre Minetto e Milton Flávio, a situação poderia se complicar. A explicação é simples: o atual diretório do PSDB de Botucatu alega, a uma só voz, que o deputado estava em São Paulo e não se empenhou na eleição que elegeu João Cury a prefeito.

{n}Nome novo{/n}

Porém, os problemas de Milton Flávio não se resumem “apenas” na candidatura Minetto e ao diretório tucano. Cogita-se na cidade a possibilidade do pecuarista Fernando Cury, irmão do prefeito João Cury, sair candidato pelo PPS. O partido se reformulou na cidade e seus diretores têm a convicção de que com 50 mil votos, Fernando Cury poderia ser a maior novidade da política da cidade a se candidatar a deputado estadual. Com apoio do irmão.

Quem está vibrando com esta “briga caseira” é o ex-prefeito Mário Ielo (PT) que pleiteia disputar uma vaga na Assembléia. Alheio a esta briga ele quer mesmo é testar seu potencial político com o intuito de viabilizar uma nova candidatura a prefeito em 2012. Não esconde de ninguém que voltar a governar Botucatu, faz parte do seu projeto de vida. E Ielo é unanimidade dentro do PT.

{n}Lideranças de peso{/n}

A nível federal a “briga” também promete ser acirrada na região entre o deputado Milton Casquel Monti (PR) e o empresário Pedro Manhães de Oliveira (PV), que deve ter sua candidatura homologada no meio do ano. Se por um lado Monti tem uma estabilidade política consolidada, Pedro Manhães vem surgindo como a mais nova revelação da política da região.

Num recente encontro regional, o empresário obteve apoio explícito de lideranças de diferentes cidades do interior paulista, ganhando adesões, principalmente, de prefeitos e vereadores. A continuar nesse ritmo intenso o empresário, que está realizando uma verdadeira maratona de visitas ao interior, poderá se transformar na maior surpresa da região na eleição deste ano.

Milton Monti (PR) está colocando as barbas de molho, já que o “novato”, não está brincando de ser candidato. Está mostrando, sim, que tem chances reais de se eleger. E no PV ele necessitaria algo em torno de 50 mil votos. Botucatu conta com um contingente de, aproximadamente, 90 mil eleitores. Somados os votos da região este número chagaria a casas dos 180 mil.

{n}Números ajudam{/n}

Somente em Botucatu, dependendo do partido, poderíamos eleger um deputado estadual e outro federal. Somados os votos da região esse número cresceria muito. Claro que seria sonhar demais, ver a cidade unida politicamente em torno desse ideal e fechar questão em dois nomes. Politicamente, isso é improvável, para não dizer impossível, pois as ideologias partidárias são absolutamente divergentes.

Senão vejamos: você imaginaria, por exemplo, o atual prefeito João Cury Neto e o ex-prefeito Mário Ielo, num mesmo palanque apoiando o mesmo candidato? Acho que seria mais fácil ver uma formiga saúva navegando na internet, pesquisando a vida do tamanduá.

quicocuter@hotmail.com