Dedo na ferida – “Magos da Fé”

{n}Magos da fé{/n}

Não tenho, absolutamente, nada contra, mas impressiona-me a maneira como algumas pessoas se manifestam nos cultos das igrejas. São gritos e lamentos tão altos que se ouve da rua. Não entendo o motivo disso, já que Deus não é surdo. Mas o que chama mais a atenção é a maneira como agem alguns pastores evangélicos, com relação aos milagres.

Ele é bíblico e existe, com toda certeza! Mas alguns, simplesmente, banalizaram o milagre, com o propósito único de ludibriar incautos. Não são todos, evidentemente, mas existem muitos líderes religiosos inescrupulosos e capaces, brincando com a fé do povo.

E os tais “santos” agem, impunemente, por aí, bradando em alto e bom tom que Deus lhes deu o poder de curar câncer com um sopro. Também fazem paralítico andar apenas com um gesto de mão. Isso, sem falar da cura da AIDS, dos surdos ouvirem, cegos enxergarem, entre outras coisas.

Fazem, em um único um culto, o que Cristo não fez em 33 anos de vida terrena. Aliás, acham que têm o mesmo poder de Jesus Cristo. Ou melhor: têm certeza. Chegam ao exagero da ressuscitação. Brincam de Deus. O pior de tudo é que tem gente que acredita. Esses enganadores e charlatões deveriam é estar presos e não abusando da fé dos menos esclarecidos.

{n}Magos da fé II{/n}

E os meios de comunicação como rádio e televisão (principalmente esta) estão se tornando um grande negócio para os iluminados “magos da fé”, que solicitam o dízimo no valor de 10% dos rendimentos mensais de cada um. Tem igreja que até faz um abatimento e deixa o dízimo por 7% ou 8% do salário. Um gesto de nobreza!

Agora outros querem mais. Absurdamente mais. Alegam que 10%, naturalmente, já são de Deus e na maior cara de pau pedem outros 10% espontâneos, totalizando 20% do ganho mensal. Isso sem falar do “carnezinho” com parcelas estipuladas para pessoas comuns ou para empresários. Cada qual com seu valor, previamente, estipulado. Para todos os tipos de vencimentos. E vendem CDs, livros, óleo ungido, toalhinhas, água milagrosa, tijolinho, ampulheta e tantas outras coisas mais. Se vende de tudo. E não escapa nada. Nem ninguém.

{n}Magos da fé III{/n}

E para atrair mais incautos, algumas religiões acabam se utilizando de mulheres famosas que ganharam notoriedade explorando o corpo e escancarando as pernas. As mesmas que, num piscar de olhos, são “tocadas” e encontram o caminho da verdade e da luz. Como num passe de mágica se intitulam “santas” e acreditam que podem tirar almas perdidas nas trevas. Me erra!

Então é necessário cuidado. Muito cuidado! Em todas as áreas é preciso separar o joio do trigo. Na religião, principalmente. A fé é uma coisa muito séria (e necessária) e as pessoas não deveriam brincar com ela. O dízimo, assim como o milagre, existe, e as igrejas sobrevivem dele. Mas, vamos com calma! Tudo tem um limite. Alguns estão extrapolando.

O número de falsos profetas que perambulam por aí, está subindo assustadoramente. Enquanto os tais “magos da fé” ficam mais ricos, as “ovelhas” aguardam, pacientemente, a mudança de vida que nunca chega.

{n}Magos da fé IV{/n}

O pior de tudo é que enquanto os fiéis, fazem da tripas o coração para tirar os 10% (ou mais) do salário exigidos pelas igrejas, os mandatários delas, andam em carros importados e em viagens internacionais só voam na classe executiva. Para atuar no Brasil eles contam com jatinhos e helicópteros particulares, residem em suntuosas mansões, e são proprietários de imóveis como fazendas, sítios e apartamentos. E na maior cara de pau dizem que o patrimônio é da igreja. Ficaram bilionários usufruindo da fé dos incautos.

E aí vem o caso mais grave. Existem rumores de que algumas igrejas contratam “artistas”, que se passam por paralíticos, aidéticos, cancerosos, cegos, endemoniados, surdos ou mudos e durante o culto, milagrosamente, com apenas um toque de mão ou um olhar dos “magos da fé” ficam livres dos seus males.

Sinceramente, eu gostaria de ver um amigo ou mesmo conhecido meu, ser, milagrosamente, curado de uma doença incurável. Todos que eu conheci e que adoeceram gravemente, acabaram morrendo. Alguns até pagando, religiosamente, o dízimo. Volto a repetir: o milagre é bíblico e maravilhoso, mas esses safardanas travestidos de santos o banalizaram. Como eu já disse, esses falsos pastores deveriam é estar na cadeia e não tirando dinheiro da boca dessas pessoas humildes, que buscam na igreja o caminho para se livrarem dos seus problemas.

{n}Resquício da ditadura{/n}

Deixando os “magos da fé”, de lado, nunca é demais salientar que a tal ditadura não foi estancada e abolida no Brasil. Isso é conversa para boi dormir. Ela está presente mais do que nunca e pode ser vista em vários aspectos. O caso mais claro da presença da ditadura nos dias atuais, está na obrigatoriedade do voto.

Isso é uma afronta ao direito que o cidadão tem de não querer votar. Por razões diversas. O voto deveria ser livre e espontâneo para que o eleitor fosse ? s urnas livre dessa obrigatoriedade absurda. Caso nenhum candidato desperte interesse o eleitor poderia, simplesmente, não ir votar. E, ir pescar, por exemplo.

{n}Resquício da ditadura II{/n}

E não se muda esse sistema ditatorial por um motivo muito simples: sem a obrigatoriedade do voto, o Brasil correria o risco de ter as eleições canceladas por falta de eleitores. Isso mesmo! Se o voto fosse livre, correríamos o risco de não ter 50% dos eleitores indo ? s urnas. Esse é o percentual mínimo, exigido por lei, para que a eleição seja válida. A decepção para com os políticos é muito grande.

Entra ano sai ano, eles são sempre os mesmos, com o apetite cada vez mais apurado para gozar das benesses dos seus cargos eletivos. Não medem esforços para conseguir a reeleição, fazendo sempre as mesmas promessas eleitoreiras, que nunca são cumpridas. O pior é que se um político de vários mandados, não consegue se reeleger, acaba sendo remanejado para fazer parte da diretoria de uma grande estatal. Ou seja, continua mamando nas gordas e voluptuosas tetas do governo.

{n}Senado vergonhoso{/n}

O voto é obrigatório, porém diversos políticos estão exercendo mandato no Senado federal, sem terem conseguido um voto sequer. No mínimo, um contra senso. São os famigerados suplentes. Eles participam das eleições na condição de primeiro, segundo ou terceiros suplentes e ficam na fila de espera.

Caso o senador eleito seja nomeado para outro cargo (prefeito e governador, por exemplo) ou convidados para dirigir uma estatal ou um ministério, ou, ainda, renunciar ao cargo ou falecer, um dos seus suplentes assume, sem ter, como eu já disse, obtido um voto sequer. E no Senado é uma festa. Muitos estão lá, não pela força do voto, mas sim por força de um regimento ultrapassado e medíocre. E vamos a eles:

Adelmir Santana (DEM-DF) – substituiu Paulo Octavio Alves Pereira (vice-governador do Distrito Federal)
Antonio Carlos Júnior (DEM-BA) – substituiu Antonio Carlos Magalhães (falecido)
Flexa Ribeiro (PSDB-PA) – substituiu Duciomar Costa (prefeito de Belém)
Gilberto Goellner (DEM-MT) – substituiu Jonas Pinheiro (falecido)
Gim Argello (PTB-DF) – substituiu Joaquim Roriz (renunciou)
Jefferson Praia (PDT-AM) – substituiu Jéfferson Peres (falecido)
João Pedro (PT-AM) – substituiu Alfredo Nascimento (ministro dos Transportes)
João Tenório (PSDB-AL) – substituiu Teotônio Vilela Filho (governador de Alagoas)
José Nery (PSOL-PA) – substituiu Ana Julia Carepa (governadora do Pará)
Lobão Filho (PMDB-MA) – substituiu Edison Lobão (ministro de Minas e Energia)
Mauro Fecury (PMDB-MA) – substituiu Roseana Sarney (governadora do Maranhão)
Neuto De Conto (PMDB-SC) – substituiu Leonel Pavan (vice-governador de Santa Catarina)
Paulo Duque (PMDB-RJ) – substituiu Sérgio Cabral (governador do Rio de Janeiro)
Roberto Cavalcanti (PRB-PB) – substituiu José Maranhão (governador da Paraíba)
Valter Pereira (PMDB-MS) – substituiu Ramez Tebet (falecido)
Wellington Salgado (PMDB-MG) – substituiu Hélio Costa (ministro das Comunicações)

{n}É mole? Ou quer mais?{/n}

quicocuter@hotmail.com