Dedo na ferida – “Cão nosso de cada dia…”

O número de cães soltos nas ruas é um caso preocupante. Complexo. Não são raros os casos em que a imprensa publica que transeuntes são atacados por cachorros na rua. Na maioria das vezes esses cães são soltos pelos proprietários para que façam suas necessidades fisiológicas (na calçada do vizinho, a privada é melhor) e sempre acabam dando problema, mordendo pessoas. Muitas vezes causando lesões graves.

E isso independe da raça, onde se inclui, pastor alemão, buldogue, pitbull (esse o mais problemático de todos, pela sua ferocidade), entre outras. Uma irresponsabilidade dos proprietários. E tem outra: as maiores vítimas são sempre crianças e idosos, que não têm agilidade para correr ou se defender dos ataques. O resultado, quase sempre, é desastroso.

Pela lei, se um cão ataca um transeunte, a culpa é do dono, que deve responder processo pelo ataque canino, de acordo com a gravidade da lesão causada pelo animal na rua. Se chegar ao extremo do cão matar uma pessoa, por exemplo, é o dono que responde por crime de assassinato.

Porém não é bem isso que acontece. Ou alguém pode me indicar um proprietário (apenas um), que tenha sido punido exemplarmente por um ataque de seu cão contra uma pessoa na rua? Na verdade a culpa acaba sempre caindo no próprio cão e seu instinto. Ou mesmo na vítima, que teria induzido o cão ao ataque. Nunca no proprietário.

Em outros casos é muito comum ver pessoas passeando com seus cães de estimação pelas calçadas. Durante o passeio é evidente que o cão vai fazer suas necessidades fisiológicas. Claro que o dono deveria ter o bom senso e carregar consigo uma sacolinha para recolher os resíduos deixados pelo animal. Mas… Quem paga essa falta de sensibilidade (ou sem vergonhice?) é o transeunte que costumeiramente pisa nos excrementos deixados pelo cachorro.

Ainda sobre o passeio é bom lembrar quão assustador é se deparar com um cão, que mais parece um bezerro, pelo seu tamanho, passeando pela mesma calçada onde você está vindo em sentido contrário. Mais assustador ainda é perceber que quem segura ? ponta da corrente presa ? coleira do animal é uma pessoa idosa (que mal pode com o peso de seu próprio corpo) ou uma criança.

Como o animal age por instinto (e muita gente se recusa a acreditar nisso e tem convicção de que seu cão pensa como ser humano), pode arrastar seu proprietário para onde quiser, já que ele não terá força para segurá-lo em caso de necessidade. O pior de tudo é ouvir a frase: “Ele é mansinho”. Essa dói na alma!

Não quero dizer com isso que o proprietário não deve passear com seu cão de estimação na rua. Ocorre que para fazer isso ele tem que tomar alguns cuidados básicos, como usar uma focinheira (no cachorro|), por exemplo. Essa desculpa de dizer que o cão é mansinho, é ensinado e outras tolices não podem ser levadas em conta. O cão pode estar manso, mas ele não é manso.

O proprietário tem que estar ciente de que está levando passear um animal irracional, que age por instinto e deve fazer o passeio seguindo normas de segurança para não causar transtornos a ninguém. Mas o racional (?) não prepara o irracional. Com isso teremos dois animais passeando na rua. Um levando o outro.

E vamos adiante: ocorre, muitas vezes, que o proprietário, ao invés de utilizar voz de comando, conversa com o cachorro como se ele fosse um ser humano dotado de inteligência. Fala sobre política, discute futebol, entre outras coisas. Ele tem a certeza de que o cão está entendendo tudo. Esse tipo é mais irracional do que o próprio cachorro.

Para encerrar não posso deixar de lembrar daqueles animais bonitinhos, tratados a pão-de-ló, conhecidos como cachorros de madame. O cão freqüenta salões de beleza, tendo os pelos pintados, unhas tratadas, perfume importado, tem festa de aniversário, piscina, dorme na cama da dona, veterinário particular, come do bom e do melhor e ainda é tratado como filho. Como é duro ouvir na rua uma mulher chamando pelo seu cãozinho que, de tão “emperiquitado”, fica mais parecendo um travesti: “Vem filhinho, aqui com a mamãe”. Arghhh!

Depois dessa acho que é melhor parar, mas deixo um recadinho aqui para essas madames que adotam cachorros como filhos refletirem (se é que a cabeça delas funciona para pensar). É uma frase antológica de uma música composta por Eduardo Duseck: “Troque seu cachorro por uma criança pobre”. E viva Angelina Jolie!