Contraste da ditadura com a liberdade da democracia

Sem a menor sombra de dúvida a ditadura militar foi um dos episódios mais nefastos da história do Brasil. O Congresso Nacional acabou dissolvido, liberdades civis foram suprimidas e foi criado um código de processo penal militar que permitia que o Exército brasileiro e a Polícia Militar pudessem prender e encarcerar pessoas consideradas suspeitas, além de impossibilitar qualquer revisão judicial. 

A ditadura começou em 1º de abril de 1964 quando o general Castelo Branco assumiu a presidência, após o golpe militar, que derrubou o governo de João Goulart, o então presidente, democraticamente, eleito pelo voto popular.  A ditadura  terminou em 15 de março de 1985.

Ao longo dos 21 anos ditatoriais outros generais foram nomeados para os cargos e o comando do Brasil ditatorial passou pelas mãos de Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. A ditadura deu lugar à  Nova República com a eleição indireta de Tancredo Neves, que morreu antes de assumir sendo substituído  por José Sarney (argh!).

Depois foram eleitos presidentes pelo voto direto Fernando Collor de Mello, que sofreu impeachment e foi substituído por Itamar Franco. Na sequência vieram Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e  Dilma Vana Rousseff.

Com a democracia os casos de corrupção foram aumentando de maneira incontrolável e hoje no Congresso Nacional a podridão está alastrada por uma corja de políticos corruptos que dilapidam o país há décadas. Escassas são as punições com cassação de mandato. E essa cambada (sempre é bom ressaltar que existe as raríssimas exceções) para agradar sua base política faz discurso favorável em prol das reformas políticas tão necessárias no país. Mas, tudo fica no discurso. Ou no papel.

Entre as reformas necessárias estão o controle (mesmo!) do financiamento de campanhas por parte das empreiteiras com estreitas ligações com os políticos; liberdade para que  o eleitor tenha o direito legítimo de não votar, já que no sistema atual o voto é  obrigatório; ou a reeleição contínua de parlamentares. Isso também vale para as esferas estaduais e municipais de muitos estados e cidades brasileiras.

Infelizmente, quanto mais investimentos têm a campanha, maiores são as chances de políticos inescrupulosos e rapaces vencerem eleições. E aí a culpa cai na conta dos eleitores que muitas vezes votam pelo visual e não por ideologia. Em muitos casos sequer sabem quem é o candidato em quem votam. Com isso os safardanas com dinheiro e forte poder de persuasão acabam eleitos. Sempre os mesmos.

A população não deveria se deixar influenciar com discursos inflamados e  promessas mirabolantes.  Deveria sim  fazer pesquisa antes de digitar seu voto na urna. Conhecer o candidato e observar, por exemplo, quanto era seu patrimônio antes e como está atualmente. A maioria (sempre a maioria) não mede consequência para se perpetuar no poder. Não para atender à população, mas sim para dar sequência a projetos pessoais.

E essa pesquisa pré-eleitoral pode ser feita sem sair de casa, através da internet. A mudança do país começa, exatamente, na consciência do voto de cada cidadão.  Pelé, disse uma vez uma frase que se tornou célebre: “O povo brasileiro não sabe votar”. E ele, nesse caso, tem toda razão do mundo.  

Voltando aos presidentes da negra e abominável era ditatorial onde o brasileiro ficou ceifado de sua liberdade de expressão, existe uma particularidade interessante. Nenhum dos presidentes daquela época saiu milionário ao final do mandado. Muitos até deixaram o poder mais pobre do que entraram. E se existe uma coisa daquela época com a qual eu concordaria hoje seria a dissolução desse modelo arcaico de Congresso Nacional carregado de vícios e desmandos.