As eleições de 2014 começaram em 2013

Embora ainda falte um ano para as eleições para a escolha do presidente da República, governadores de Estado, senadores e deputados (federais e estaduais) o clima de campanha eleitoral já está tomando conta do País. Sem falar que somente no mês de julho de 2014 é que ocorrem as convenções para que os candidatos sejam oficializados. Serão milhares deles em 32 partidos registrados, que dividirão milhões de votos em todo Brasil.

Mas vamos nos ater em Botucatu, especificamente, na candidatura de deputados, onde muitas bobagens são ditas. Em Botucatu temos, aproximadamente, 92 mil votos e as previsões não são nada otimistas. Milhares de votos deverão ser jogados fora em razão do desgaste dos parlamentares. Então, quando se ventila que Botucatu sozinha poderia eleger um deputado federal e um estadual é pura balela. Uma cretinice que só cabe na cabeça de analfabetos políticos.

Vamos fazer um exercício de números e nos lembrarmos das eleições municipais de outubro de 2012. Tínhamos 91.397 eleitores com direito a voto, entretanto comparecem ? s urnas 74.289. Desses votos 2.555 foram nulos e 4.499 brancos. Sobraram 67.245, que foram divididos entre João Cury (38.779), Mário Ielo (27.531) e Gustavo Bilo (935).

Já para vereadores número de votos válidos caiu para 65.069, divididos entre 127 candidatos numa eleição em que teve o candidato menos votado com 03 votos (sem percentual) e o mais votado com 2.750 (4,23%). Então, fica a pergunta: quantos votos válidos teremos em 2014? Aventar a possibilidade de que a cidade vai se unir em torno de uma candidatura é outra aberração política. Quem pensa que isso um dia vai acontecer é um débil mental. Manicômio nele!

Vamos imaginar que teremos em Botucatu 70 mil votos válidos (não vai chegar a isso, de jeito nenhum). Até o momento três partidos já adiantaram que terão candidatos (PPS, PT e PP), que levarão parte desse bolo. Uns mais outros menos, mas todos terão seu quinhão. Outros milhares de votos serão divididos por centenas de políticos de outras regiões que sempre obtém votos na cidade. E isso é democrático. Cada um pode pedir o voto a quem puder e onde quiser.

Na minha opinião o candidato mais votado em Botucatu terá que trabalhar muito para conseguir 20 mil votos. Santo da casa não faz milagre. Teria que ir buscar lá fora duas ou três vezes mais. É possível? Claro que é.

Senão vejamos: dos atuais deputados da Assembléia Legislativa, 18 deputados foram eleitos com menos de 70 mil votos. O mais votado desse grupo foi Marco Aurélio de Souza (PT) com 69.485 e o menos votado foi Bolçone (PSB), com 31.274 votos. Claro que isso dependeu da matemática do complicado coeficiente eleitoral onde nem sempre o mais votado assume a cadeira.

Vamos brincar com os números um pouco mais e citar que nesse grupo dos 18 ainda estão políticos conhecidos como Chico Sardelli (PV – 68.721); Davi Zaia (PPS – 68.658); José Cândido (PT – 68.202); Maria Lúcia Amary (PSDB – 67.804); Pedro Bigardi (PC do B – 67.758); Cauê Macris (PSDB – 66.412); Geraldo Vinholi (DEM – 62.580); José Bittencourt (PDT – 58.954); Salim Curiati (PP – 57.727); entre outros.

Olhando por este prisma parece fácil, mas não é. A tarefa é árdua e o caminho é tortuoso, espinhoso, delicado. Uma pessoa prometer voto é uma coisa, mas votar é outra, completamente, diferente. Por isso o trabalho tem que ser muito bem feito. Torço mais do que ninguém para que Botucatu volte a ter representatividade na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. Mas, se fizermos uma viagem ao tempo e somarmos o número de deputados eleitos por Botucatu tomando como base os cinco dedos da mão direita, teremos dedo sobrando.