Afinal, quanto custa um deputado federal?

Uma pena (mas pena mesmo) que as manifestações populares (pesadelo dos políticos) tenham esfriado no País. Parece que o gigante voltou a adormecer. Lá no Congresso Nacional, os parlamentares com os salários mais altos do planeta já respiram mais aliviados depois da onda de protestos e podem continuar se beneficiando das benesses do poder. Mas, afinal, quanto custa um deputado para o Brasil?

Cada parlamentar (pasmem) custa R$ 1.400 por dia útil incluindo salários e verbas indenizatórias. Embora recebam por sete dias “trabalham” apenas três dias por semana (terça a quinta-feira). Já que os quatro dias restantes (de sexta-feira a segunda-feira), são raros os que se aventuram ir a Brasília. Sem falar que muitos deles (durante os tais três dias trabalhados) ainda cumprem agendas em seus redutos eleitorais, que geram, claro, gastos extras.

A Câmara gasta R$ 919 milhões por ano para bancar a manutenção do mandato dos 513 deputados. Entre salários (quase R$ 27 mil por mês), verba para despesas de trabalho (R$ 33 mil em média) e recursos para pagar salários de assessores (R$ 78 mil). Um único deputado custa R$ 140 mil mensais.

E não pára por aí. Os parlamentares ainda dispõem de uma série de benefícios “complementares”. Cada gabinete têm ? disposição o carro oficial com motorista e direito a várias impressões de publicações e de material de expediente. São até 15 mil folhas de por mês, por exemplo, além de pastas, blocos e cartões. E os deputados podem publicar, todo ano, 200 mil páginas de publicações, o que significa 4 mil exemplares de 50 páginas, por exemplo.

Contam com auxílio moradia; cota postal; cota telefônica; passagens aéreas; combustível; gráfica; jornais e revistas; clínica dentária e hospital com médicos de todas as especialidades em plantão de 24 horas por dia; duas férias anuais; entre outras coisas. Ou seja, o deputado tem todas as regalias nababescas possíveis e imagináveis e o salário de cada um entra “limpinho” na conta bancária.

Na ponta do lápis um deputado custa bem mais do que as informações oficiais. Isso sem falar de que muitos deles são suspeitos de receberem quantias consideráveis “por baixo do pano”, que não são oficialmente, contabilizados (nem poderiam). Lembram-se do mensalão? Um lembrete: no Senado Federal, que tem 81 senadores, o gasto é três vezes maior (acredite se quiser).

Está mais do que explicado o desespero daqueles que querem entrar para esse mundo seleto de privilegiados e outros mais desesperados ainda para se manterem no poder. E aqui vamos revelar um dado interessante: em 80% dos casos o deputado não sabe o que está votando. Isso porque quem decide o voto são os líderes de cada partido. Alguns parlamentares só entram em plenário para votar (teclar sim ou não) e sequer participam das discussões. Quem acompanha o dia a dia do Congresso pode perceber que os discursos são feitos sempre pelas mesmas pessoas.

E tem gente “enclausurada” dentro do Congresso Nacional com mais de 50 anos de “serviços prestados” ? vida pública. Vivem em suntuosas mansões e visitam seus redutos eleitorais, amigos e propriedades com os jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB). Acham que estou exagerando? Para se ter um parâmetro do que é o Congresso Nacional, basta comparar o patrimônio pessoal da maioria dos parlamentares antes e depois da entrada na vida pública. É de virar o estômago. Com essa parcela maior de gente nefasta se perpetuando no poder, o País, seguramente, não vai mudar. Para eles, não há razão nenhuma para que isso aconteça.