Acorda Botucatu! O boi está voando!

Não estou aqui para fazer demagogia e antes de qualquer coisa vamos deixar claro que o deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) está coberto de razão em pleitear a criação de 60 vagas do curso de Medicina para Bauru. É esse o papel que lhe cabe como representante daquela cidade na Assembléia Legislativa e junto ao governo do Estado. Não está preocupado com Botucatu, embora tenha conquistado aqui preciosos votos que ajudaram sua reeleição.

Como não temos um representante legítimo que contraponha as argumentações de Tobias, ficamos na dependência da boa vontade de parlamentares de outras regiões. É o preço que pagamos pela falta de um deputado da terra que defenda nossos interesses no parlamento. E pelo andar da carruagem a criação das vagas para Bauru já é fato consumado. Só falta oficializar.

O que me deixa inconformado é que desde a sua criação há 50 anos, a Faculdade de Medicina de Botucatu que em 13 departamentos de ensino forma, anualmente, 90 médicos em seu curso de graduação desde 1963, têm estrutura física para aumentar as vagas no curso de Medicina. Por isso, a criação de vagas em Bauru foi uma ducha de água fria para quem ama e quer o bem da Cidade. Sabemos de antemão o que isso pode significar, futuramente. Ou alguém acredita que Bauru vai se contentar com as “míseras” 60 vagas que estão sendo criadas? Só um analfabeto político para engolir isso.

O engraçado é que esse assunto de Bauru querer “tirar” a Faculdade de Medicina de Botucatu já vem de longa data. Seria uma utopia pensar nisso se a situação não fosse política. No jogo político, como dizia nosso saudoso Progresso Garcia a gente só não vê boi voar. Acorda cidade! O boi está voando! Alto! O deputado Pedro Tobias nunca escondeu de ninguém sua intenção de instalar uma Faculdade de Medicina em Bauru, mas ninguém acreditou que conseguiria já que a Faculdade de Botucatu está a 100 quilômetros, menos de uma hora de viagem. Tá aí a resposta.

E a criação dessas vagas foram discutidas com diretores da Unesp de Botucatu, Silvana Artioli Shellini e Carlos Peraçoli; vice-reitora Mariuza Cunha Rudge, representando o reitor Júlio Cézar Durigan; prefeito de Bauru Rodrigo Agostinho e sua vice Estela Almagro; deputado Pedro Tobias e com o próprio governador Geraldo Alckmin, que não descarta a “possibilidade” de Bauru ter o curso de Medicina. Se o assunto envolvia Botucatu, que ficará privada dessas vagas, por que então não convidaram o prefeito João Cury para debater o assunto? Está claro como água, gente! O pior cego é aquele que não quer ver!

Na quinta-feira, dia 13 de junho, acontece na Câmara Municipal, uma Audiência Pública, por iniciativa dos vereadores Lelo Pagani (PT), Josey de Lara Carvalho (PR), Fernando Carmoni (PSDB) e Izaias Colino (PSDB) para que o assunto seja debatido com pessoas ligadas a diferentes segmentos sociais da cidade. Só uma manifestação em massa poderia convencer o governador a mudar de idéia. Por isso, a audiência é importante, mas acho que é tarde demais. Não quero ser pessimista, mas a Inês é morta! Espero estar errado. Adoraria constatar que falei demais.

E sabem o que é pior? Pessoas do alto escalão da Unesp alegam que a criação de cursos em Bauru irá fortalecer a Universidade, como um todo, mas não vai enfraquecer Botucatu. Cômico, se não fosse trágico. A criação dos cursos em Bauru é apenas o primeiro passo e abre uma perspectiva sombria para nossa Faculdade de Medicina. Acorda Cidade! Olha o boi!