O poder do café

A história contada pelo ciclo do café em Botucatu – Por Pedro Paulo Pacheco

1-capaEm Botucatu os bairros rurais surgiram antes de tudo, por agricultores que abasteciam as monções na foz do Piracicaba. A partir de 1835, formaram-se bairros rurais bem densos nos vales do rio Lavapés, do Araquá, do Paraíso e do Lençóis, destes bairros o mais denso era o Lavapés, onde ali se formaria o núcleo urbano de Botucatu.

O crescimento das lavouras e a consolidação desses núcleos, contribuíram para a formação do traçado urbano inicial da cidade, isso aconteceu por meio de diversas providências tomadas pela municipalidade botucatuense. Em 1869, as edificações e o cotidiano mudaram a partir da instalação do Código de Posturas, determinando normas para o arruamento e assim modelando o traçado urbano regional.

2Desde 1870, o crescimento da lavoura algodoeira e a grande expansão cafeeira, baseada na mão de obra escrava, criaram uma crescente e forte economia urbana.  Em 1886, com a queda da escravidão os produtores foram obrigados a importar mão de obra, neste caso de imigrantes, em sua maioria italianos, foi onde vieram nossas raízes mais importantes, vindas do Mediterrâneo ou do Adriático. Botucatu sofreu assim uma grande mudança entre os anos de 1890 até a década de 1930.

Grandes fazendas de café aqui se formaram, dentre elas uma muito importante, a do Desbruado, pertencente ao grande cafeicultor botucatuense Amadeu Piozzi. Esses importantes imigrantes além de trazerem sua cultura e arquitetura da Itália à Botucatu, trouxeram métodos construtivos e de colheita, como a primeira máquina de beneficiamento de arroz, trazida também por Amadeu Piozzi a região de Botucatu.

3Uma nova classe média havia crescido e fortalecido a elite, eram enormes as construções de grandes edifícios públicos, as igrejas, escolas e residências dos cafeicultores, cada vez mais elaboradas, se destacavam na parte alta da cidade pela sua arquitetura e jardins, marcando a sofisticação das edificações proporcional à riqueza agrícola local.

Com a explosão de prosperidade trazida pelo café em 1920, houve uma grande expedição de embelezamento para a Cidade de Botucatu, com grandes projetos arquitetônicos e conferindo à cidade ares de poder e riqueza europeia trazidos pelo dinheiro do café amarelo botucatuense, marcando para sempre a história com o doce sabor de um belo café.