Hearst Tower: diálogo perfeito entre o novo e o velho

Texto: Arquiteto Pedro Paulo Pacheco

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Fachada da principal da Hearst Tower fonte: disponível em: www.architectureweek.com

Localizado na ilha de Manhattan, na cidade de Nova York, antigo prédio em estilo Art Deco de 1928 tem nome oriundo do magnata da imprensa William R. Hearst, fundador da Hearst Corporation, projeto do arquiteto Joseph Urban. Os planos de Hearst já vislumbravam o edifício Art Deco como pedestal de outro ainda maior que seria construído, que, no entanto, não passou de um projeto.

O arquiteto Normam Foster, quase 80 anos depois, dá vida ao sonho de Hearst, executa um projeto totalmente contemporâneo, usando o existente como pedestal, estabelecendo um diálogo perfeito entre o novo e o velho, como no British Museum, em Londres, e no Reichstag, em Berlim.

O projeto de Foster previa a demolição de todo o miolo do edifício Art Deco, mantendo apenas a fachadas externas, que passou a servir de vedação para o lobby do prédio. O edifício antigo foi ligado ao novo por painéis de vidro, afim de possibilitar a entrada de luz natural no edifício, gerando assim uma leveza visual ao projeto.

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Corte interno do Lobby central fonte: disponível em: www.architectureweek.com

Definitivamente A Hearst Tower não é um edifício convencional. Sua estrutura é composta por um sistema denominado diagrid, palavra da língua inglesa derivada de grade e diagonal, necessitando de aproximadamente 20% menos de aço do que uma armação estrutural convencional é resistente e eficiente a pressão, tal estrutura permitiu uma economia de aproximadamente 2000 toneladas do material.

Vistas da fachada, as peças diagonais, não exercem apenas função decorativa ou de vedação, são elas os elementos que compõem o sistema estrutural. Os cantos, resultantes do encontro das diagonais, foram cortados, de forma semelhante ao corte de um diamante, enfatizando as proporções verticais e criando uma plástica diferente, se destacando no skyline da cidade.

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Detalhe da fachada fonte: Acervo do autor

A torre de 42 andares não foi feita somente para impressionar pelo seu design inovador, mais para se tornar um prédio energeticamente eficiente, Foster, construiu um prédio que consome 25% menos energia do que os prédios situados nas redondezas, reciclou 80% da estrutura original demolida, e 90% do aço utilizado contêm materiais reciclados, a economia a cada ano à retirada de 174 carros das ruas.

Nada melhor que fazer o novo usando e economizando o que se tem disponível, a beleza gera a forma de olhar e de sentir, voltando a frase, menos é sempre mais.