A LEITURA E A COMPREENSÃO DAS RELAÇÕES

LAINO 001Definitivamente parece que a leitura, aquela explicativa sobre qualquer assunto, está desaparecendo, ao menos os leitores parece que estão. Tenho notado que as pessoas atualmente não se dão muito à leitura, buscando apenas aquilo que tem uma quantidade ínfima de informações, resumos ou textos breves.

Em minha prática cotidiana, além da observação geral, percebo que à medida que as pessoas lêem menos, ou se entregam apenas a leituras rápidas, isso pode demonstrar a superficialidade impressa em nossas vidas hoje em dia. Num contexto geral é como se envolver-se estivesse fora de moda, literalmente vivemos a tal “modernidade líquida”, estudados por Zygmunt Bauman, famoso sociólogo polonês, na qual a virtualidade de tudo é o mote. Não gostou, desconecta; é tudo tão fluído, líquido.

Noto que nas relações as pessoas estão assim rasas, resumidas, se entregando pouco, depois abandonam, trocam por uma nova. Talvez a leitura resumida seja só um retrato da geração que não quer perder tempo em longas conversas, leituras e relações, fazendo de seus compromissos algo descompromissado, em relações também sem profundidade. Bauman alertava sobre as relações líquidas da modernidade, onde podemos ver que a maioria das pessoas não quer a estabilidade.

Isso é notado em todas as esferas das relações, inclusive nas relações das pessoas com as corporações. É tudo tão fugas, as pessoas entram para um trabalho e, em seis meses, já se acham prontas para assumir novas posições na empresa, como se o pouco ou quase nada que aprenderam já fosse o suficiente. Conheço uma série de colaboradores de empresa que se quer lêem matérias relacionadas ao seu trabalho, quanto mais buscarem outras informações que agreguem valores para suas vidas pessoais e profissionais.

Aqui mesmo, se me alongo um tanto mais, sei que muitos não chegarão ao final do texto. Então, vou parando por aqui, mas não sem antes alertar que a falta de profundidade faz muito mal à saúde. Deixe de lado a leitura de manchetes e aprofunde-se, pois esse certamente será o seu diferencial diante dos outros. Ao aprofundar-se nas relações e na vida poderemos viver a intensidade das relações e, com ela, aprendermos que não dá para ser cada um por si, mas precisamos do outro num intenso exercício de autoconhecimento. Sim, porque é a nossa relação com o outro que nos mostra quem somos de verdade.

Ah, a leitura? É só uma metáfora de como estamos, uma comparação!