Saudades da minha terra II

A cada minuto que passava aumentava minha ansiedade, aquele trajeto estava cada vez mais longo admirando os vales e campinas, olhavam as fazendas e me envolviam ver os gados, as plantações que cercavam a paisagem.

            Ao chegar ao sítio de meu pai, logo vi ao longe no poço minha mãe, no meu coração sentia que ela estava com alguma dificuldade em se mover, logo me viu um sorriso largo em seu rosto, parecia que eu sentia seu coração vibrando em me ver, foram cinco longos anos, que não nos víamos aquele abraço terno, aconchegante, que só mãe sabe dar. Segurei meu choro por alguns minutos mais não contive por muito tempo.

Meu pai veio logo ao ver nós dois abraçados, e no mesmo embalo abraçamos, sentia no céu naquele momento único os três choraram aquele carinho, aquele amor que só sabemos o quanto nos falta quando estamos longe de quem amamos. Ah!  meu pai, que rugas de trabalho edificam seu rosto cansado.

 Por mais que tentássemos a mesma emoção tomou conta de nós, logo fui informado das noticias, que cercava o sítio, as vacas, as plantações do café, as secas que assolou nosso sítio, fazendo severas mudanças por toda parte.

À tardinha os amigos se reuniram e começamos a cantoria, só que desta vez alguns de meus tios, “assim os chamavam” não estava mais presentes, acompanhavam-nos lá do céu, a noite quente de dezembro me fez rolar as lágrimas, meu pai já não estava tão afinado, outros dois amigos, tinham mudado pra cidade grande.

Algo naquele momento me fez sentir que ali era meu lugar, não podia deixá-los sozinhos, eu precisava tomar conta deles, tudo que já passei eu precisava cuidar de meus pais, sei que ali não ganhava muito dinheiro, porém também não tive tantas glórias na cidade, o que juntei, poderia fazer algumas benfeitorias no sítio, o que me valeria à pena era estar do lado de quem sempre faria de mim o homem que sou hoje.  Olhei pro céu, agradeci a Deus por sentir aquela brisa leve depois de muito calor, o aconchego de meus pais, aquela canção que tanto me tocava a alma, a comida simples “aquele cheirinho de feijão”, sim aquele era meu lugar.

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