Brasil é o 4° país do mundo em termos de população com diabetes

O Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) é caracterizado  por ser uma doença de longa duração, progressão lenta e provoca morte prematura por todas as causas, principalmente por doença cardiovascular.

Embora o diabetes mellitus tipo 2 seja uma doença que afeta principalmente adultos mais velhos, constata-se que, com o aumento crescente da obesidade, a idade de início da doença tem afetado grupos etários mais jovens, o que sugere que o diabetes se tornará uma das doenças mais comuns na população em idade produtiva.

As evidências mostram implicações da doença na redução da capacidade e produtividade no trabalho; complicações crônicas como agravantes no impacto do diabetes mellitus no trabalho; aposentadoria precoce e suas consequências econômicas para a sociedade; e aspectos que viabilizam o autocuidado com a doença no trabalho. O diabetes mellitus apresenta implicações negativas sobre a inserção e permanência de pessoas no mercado de trabalho, agravando-se com a manifestação das complicações crônicas, as quais favorecem o desenvolvimento de deficiências e incapacidade para o trabalho, bem como a aposentadoria precoce2.

 O Brasil é hoje o 4°país mais populoso do mundo em termos de população com diabetes. Temos 11 milhões de diabéticos no país (8,6 % da população) sendo que metade não sabe sua condição.

Em relação às pessoas que sabem ser portadoras de diabetes, há uma taxa elevada de má adesão ao tratamento do DM2.  Os motivos são: desconhecimento sobre as complicações crônicas da doença (afinal, o DM é uma condição crônica e com poucos sintomas em curto prazo), esquecimento em tomar as medicações, custo com medicamentos, inconveniência com a rotina e efeitos adversos aos medicamentos.

O estudo ESCUDI foi o primeiro estudo realizado no Brasil que avalia os custos do tratamento do DM2 em pacientes ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SUS). Este estudo avaliou o custo direto e indireto com o gasto do tratamento do diabetes. O custo direto engloba medicamentos (para diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares, dislipidemia, psiquiátricas e todas as outras necessárias para controlar as complicações do DM); exames laboratoriais, consultas aos profissionais de saúde (médicos, nutricionistas, enfermeiras, fisioterapeutas, dentista, psicólogos), insumos (como as fitas de HGT), custos com atendimento em pronto socorros; além dos custos diretos não-médicos como alimentos diet, transporte do paciente a clinica de saúde, contrato temporário de um cuidador para os períodos de recuperação. Os custos indiretos se referem às faltas no trabalho e diminuição de produtividade do paciente e de seus cuidadores além de aposentadoria precoce.

Vale lembrar que a medida que esta doença evolui, ocorre um incremento de 23% nos custos com o tratamento do diabetes além de 25 % quando com complicações crônicas. Os resultados deste estudo indicam urge a necessidade em desenvolver politicas publicas de prevenção do DM2 e de suas complicações, além de melhorar o atendimento esta população crescente.

Em relação ao Diabetes tipo 1 (DM1), além dos mesmos desafios descritos para o DM2, a situação complica, pois trata-se de crianças que necessitam de cuidados dos pais e uma rotina regrada de alimentação e aplicação de insulina varias vezes ao dia. As insulinas disponibilizadas pelo SUS têm inicio e pico e ação diferentes da insulina endógena (natural do nosso corpo). Hoje já existem análogos de insulina que, quando aplicados em conjunto com a contagem de carboidratos , mimetizam a secreção pancreática de insulina. Nos pacientes com DM1 são a primeira escolha para seu tratamento, commenor risco de hipoglicemia e  visam o melhor controle a longo prazo, evitando complicações. Neste tópico também há necessidade de discutir o fornecimento destas insulinas mais modernas para as crianças com DM1.

Em relação ao DM1 há outros desafios, como a inclusão nas escolas um trabalho sobre diabetes infantil para evitar preconceito entre os colegas, educação alimentar na merenda facilitando o controle glicêmico, e evitar obesidade infantil. Orientação aos professores sobre com manejar uma hipo ou hiperglicemia, sobre a necessidade deste aluno em se alimentar mais vezes ou fazer a dextro (exame de diabetes glicose no sangue) durante o período de aula.

O deputado estadual Fernando Cury criou na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo uma Frente Parlamentar de Combate ao Diabetes, uma iniciativa inédita que visa melhorar as condições de acesso a informação e tratamento do diabetes, além de viabilizar a formulação e cumprimento de leis para o melhor atendimento da população. As ações da Frente Parlamentar consistem em organizar e efetivar protocolos de atendimento do paciente diabético, tanto do tipo 1, quanto do tipo 2.